quinta-feira, 10 de abril de 2014

SEUS PÉS












Você vai caminhando por um lugar escuro onde somente a Lua, entre as nuvens, põe um pouco de luz sobre você.
O tempo está frio e você com os seus pés descalços caminha num chão cheio de pedrinhas que magoa os seus pés. Vai andando e sentindo a frieza na sua pele. Sua roupa parece até que está úmida. Mas a sua alma sente as energias do ambiente. Você caminha nem sabe mesmo, pra aonde vai. Você procura por si e não acha. Sente uma palpitação de tanto esperar que alguma coisa boa aconteça no seu coração. As pessoas não estão lá por onde você anda.
A pouca luz lhe dá a sensação de que ninguém está lhe vendo. Mas você escuta algum sussurro vindo de algum lugar. Quem sabe? Pode ser até a sua respiração. Ninguém se importa com você, pois você não tem nada a oferecer a não ser a sua palavra.
Suas ideias são muito difíceis de serem compreendidas. Você tem medo de se tornar ridículo somente por pensar diferente. Mas todos estão ali, lhe esperando que você saia desse caminho escuro, ou com pouca luz, para ficarem parados some  olhando para a sua alma.
Você não acredita em mais nada do que falam para você. Pois o seu sofrimento o fez tornar-se indiferente para os valores constituídos pela sociedade em que você vive. Mas não tem importância, você caminha e sente as pedrinhas machucarem os seus pés.
Se as pessoas mandarem calçar sandálias, você irá rir da importância que elas dão as sandálias. Você já não as calça mais porque elas não lhe servem para caminhar. Apenas fazem barulho. Outras têm pena de você porque acham que você não conseguiu o que queria da vida. Não sabem que o seu sonho acabou também.
Você acreditou muito que sonhar com uma realidade que estava no futuro poderia ser resgatada para um presente que nunca existiu. Você confiou mais nos outros do que em você. Mas não tem importância. Ainda tem muita estrada para se caminhar. E é bom que seja na penumbra e no silêncio. Pois assim não vão saber aonde você vai chegar. Você pode ter ainda muito tempo. Mas se não tiver, não tem importância. Vá caminhando e seguindo os seus próprios passos. Quem sabe? Podem ter outros passos iguais aos seus. Mas se não tiver continue. Você é único pra você mesmo. Não espere que alguém ande por você.
Assim você não vai poder sentir as pedrinhas doerem nos seus pés. Elas querem dizer alguma coisa. Você precisa, você precisa. Mas não estire a mão. Podem cortá-la por acharem que você está querendo tudo aquilo que elas querem também.

Vá andando, continue, lá fora da escuridão tem uma luz que não tem nome, não tem sentido, não tem dimensão e é muito difícil de ser compreendida porque todos querem dá um nome e criar uma fisionomia para que lhe faça medo ou lhe cause tristeza. Mas essa é a sua luz, é você.

domingo, 9 de março de 2014

Palestra com o Ministro Rubén Del Valle (Cuba)


Estive nesta sexta-feira, a convite da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, para participar de uma palestra com o Exmo. Sr. Ministro da Cultura de Cuba, Rubén Del Valle.  São eventos que raramente são divulgados como se deve. A integração de brasileiros e cubanos em eventos culturais é de uma importância relevante, em virtude de sermos do mesmo continente, embora com idiomas diferentes. No início eu não entendia o que o ministro falava, mas com o tempo comecei a entender com mais facilidade o castelhano com o sotaque cubano.
O que me chamou a atenção, é de que a cultura em Cuba é muito mais levado a sério do que no Brasil. A impressão que eu tinha de Cuba por ser um país pobre e pequeno no sentido territorial, era de que mais parecia com algum lugar do interior do Brasil. Mas para minha surpresa Cuba é um país importante, mesmo sendo tolhido pelas forças políticas dos Estados Unidos.
Não vejo sentido, do povo cubano,  passar pelas privações, pelo fato de não poder se relacionar com os outros países nos sentido comercial, somente porque é uma ditadura. Eu acho isso uma estupidez e uma mesquinharia.
Cuba por ser uma ilha paradisíaca foi durante muito tempo, segundo o ministro, uma ilha de jogatinas e prostituição dos Estados Unidos pelo fato de ser próximo a algumas centenas de milhas do continente americano. Com a revolução comunista, acabaram-se os cassinos e o local de privilégios dos norte-americanos. Com a aproximação de Cuba com a URSS, os Estados Unidos colocaram o dedo no suspiro e até hoje Cuba vive das suas próprias experiências. Fazendo comparações, em Cuba não se faz fila para ir ao médico. Aqui se morre na fila.
O que me chamou a atenção no lodo cultural é a variedade de motivos culturais para todas as idades e gostos. Desde as românticas músicas, passando por eventos de ruas, várias formas de teatro até músicas eruditas com compositores da terra.
O país tem aproximadamente onze milhões de habitantes e são vendidos oito milhões de livros. A cultura é tratada de forma para que os descendentes da região conservem e perpetuem com a ajuda do governo e o incentivo do turismo.  No vídeo que assisti mostram pessoas de vários países que lá visitam a procura de diversões com o contexto cultural.
Esta experiência nos orienta para que devamos incentivar ao povo pernambucano, aqui no caso, para que haja investimento por parte das autoridades envolvidas na cultura desta região, de modo que se crie uma cultura permanente dos nossos costumes. Precisamos convencer aos nossos artistas que invistam mais naquilo que possuímos para que os descendentes se orgulhem do que possui sem que haja necessidade, por exemplo, no carnaval de Olinda, se ouvir sons de músicas de outras regiões do Brasil, quando temos eventos culturais na região de excelente qualidade.

A exemplo disso,quando se toca Vassourinhas no carnaval, o frevo pega fogo.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

FOTO IMPRESSIONANTE

Estava tomando café. Quando terminei dei uma olhada no fundo da xícara. A luz formou uma imagem interessante do rosto de um Extra Terrestre. Apanhei a máquina fotográfica e tirei estas fotos. É impressionante esse tipo de imagem. Nada foi feito com a intenção de tirar este tipo de imagem.











sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

COMO FORAM OS ANISTIADOS, ANOS DE INDECISÃO E FRUSTRAÇÃO.



Daria, se quisesse, fazer qualquer comentário de qualquer tipo que explicaria essa situação. Imagine um furacão, de repente, a destruir todos os seus sonhos e lhe tornar, de uma dia para outro, um indivíduo, visto pela sociedade, como um preguiçoso, que só quer boa vida, sem trabalhar e viver como um parasita as custas das pessoas trabalhadoras que conseguiram o que tem com muito esforço.
É equivalente a um murro de um lutador de boxe, peso-pesado, sem esperar. Pronto. Nocauteou-o. Muitos ficaram saltitantes de alegria. Aqueles que diziam, “tô contigo e não abro”. Os amigos “mosca”.
Qualquer comparação que se fizer com os anistiados se assemelha com a situação em que foi vivida aí em cima. É como uma pessoa no deserto, perdida, apenas com uma garrafa d’água na mão.  Não sabe se bebe ou guarda para depois.
Foi uma bomba que explodiu dentro de casa, daquelas bem potentes, que quebrou, o respeito, o relacionamento, a consideração. E o indivíduo para poder suportar, estou falando dos que sobreviveram, teve que procurar uma muleta. Os botecos onde vendiam fiado, cachaça e cerveja, fora as piadinhas de que não estava trabalhando porque não queria nada com a vida. E um sorriso amarelo servia de disfarce pela vergonha que se estava sentindo.
E os filhos, adolescentes, a vergonha deles em relação aos colegas que tinham pais empregados? Aquela pergunta ferina: “Teu pai trabalha aonde?” E no dia em que os filhos tiveram que sair do colégio porque não tinha dinheiro par pagar as prestações do colégio? E a festa de 15 anos? Terrível, improvisada! E a eterna satisfação que se tem a dar a sociedade? O pai um bebum que não podia ver uma garrafa em pé que queria derrubá-la. E a mãe se fazendo de que não entendia nada par poder conseguir disfarçar.
Com certeza o causador de toda essa miséria, estava sorridente levantando o braço para poder mostrar aos seus discípulos que era potente e correto. Seria mais um pseudo Hitler disfarçado, egocêntrico iludindo aos demais? Não sei. Só sei que foi um fim de mundo! Como um tiro em que só depois é que se sabe que foi atingido devido à rapidez do fato.
Ainda bem que o  ser humano se adapta ao ambiente para poder suportar a dor. Aprender a ser humilhado sem perder as estribeiras. Aprender a ser escanteado por todos sem precisar de chorar, pois sorrindo se vai levando toda a desgraça nas costas. Nestes momentos, o máximo que as pessoas podem ter, é pena. (Mas isso não ajuda, pois o que se precisa é de uma mão de apoio.) Ou então aquela conversa de que tudo passa. Pois assim o aconselhador se exime de ter que ajudar materialmente. Fica só nos conselhos que é de graça e não lhe tira o dinheiro de comprar uma jóia ou um dia num restaurante.
Quando não, se dá uma cestinha de alimentos comprada ali no supermercado juntamente com uns conselhos maravilhosos; “olhe isso aqui é para lhe ajudar enquanto você arruma um emprego. Pode ser um emprego de servente. Pois se começa assim.” O humilhado responde com um sorriso para não ofender. Se não pode perder a possibilidade de ganhar outra cestinha. Pois quem mais humilha é a fome.
Mas a força do anistiado ainda é maior que a do aconselhador. Como um animal abatido e rodeado de hienas sorrindo e salivando a sua desgraça, lhe oferecem soluções mirabolantes. Advogados que resolvem o problema rapidamente em alguns dias ou meses. Basta pagar 500 reais. Ora o desgraçado já está no fim da linha, onde diabo vai arrumar essa fortuna toda, se um real já resolve muita coisa na sua vida? Dá pra comprar o pão. Pois ontem comeu farinha com colorau e sal.
Vive rodeando um sindicato na esperança de que algum dos diretores descubra a verdadeira fórmula da salvação. Reuniões com um grupo de pessoas com uma idade não aceitável para se empregar em qualquer lugar deste país, onde cada um conta a sua história, mas não se lembra de que a união faz a força. Aparecem até histórias semelhantes ao “Guiso no pescoço do gato”. Todos tem uma idéia infalível, mas não sabe como executá-la.
“Manda dez pessoas para o distrito federal para gritar e chamar a atenção.” Aí no outro dia está tudo resolvido. O presidente assina um decreto e todos voltam para o trabalho. Muito bem, quem financia as passagens de avião para ir ao distrito federal? “Não sei! O sindicato! Uma cotinha!” E por aí vai.
Mas a insistência de alguns heróis que acreditam que Deus não é seu empregado e sim seu instrutor, toca pra frente a sua luta que é de todos nós. Briga, reclama, se passa por chato, inconveniente, mas vai seguindo o seu paradigma de ajudar a si e aos outros que não tem mais força nem coragem. Vai com as esmolas para uma terra pouco conhecida, repleta de  hienas a espreita da sua desgraça. Com pouco ou nenhuma grana, disputa uma dormida em um banco da rodoviária para salvar os colegas que estão nas suas outras atividades, ou nos botecos, ou vagando em algum lugar esperando o milagre. O choro da traição lhe comove ao saber que foi mais uma vez expulso do convívio por não ter dinheiro par pagar uma pensão.
Deus olha lá de cima e espera para ver o desfecho de toda essa caminhada de um herói que só queira o seu emprego, a sua casa, o seu lar, os seus filhos dizendo papai, enfim o que todos têm direito.
Hoje os que tiveram sorte, deixaram o álcool como muleta para continuar esperançosos que o dia está chegando. Deixaram de se lamentar por achar que aqueles que não estão interessados no seu sucesso lhe façam alguma coisa de bom. Pois a luta é de cada um que somando as forças se luta para que toda essa agonia chegue ao fim.

Mas como uma guerra, muitos ficaram para traz. Morreram, porque chegou a sua hora, foram presos porque acreditaram que o caminho mais largo era o correto. Adoeceram porque não tiveram fé. Enfim Deus deu a cada um uma cruz com valores e medidas diferente para a sua capacidade. E os que sobraram foram os heróis dessa peleja. Mas sempre tem um maior na peleja; aquele que foi na frente e levantou a bandeira da liberdade e do perdão. Deus salve os anistiados deste país que foram condenados sem pecado!
VIDA, MOMENTOS DE CONSCIÊNCIA.


A vida é uma incógnita.
São momentos de consciência em que se percebe que algo ocorre em volta de nós. Jamais saberemos o que possa ocorrer além da nossa capacidade de perceber e da nossa pobre inteligência que não passa de uma evolução dos instintos.
Muitos indivíduos humanos se dizem privilegiados de que possuem uma capacidade de perceber coisas, que os outros não têm. Isso não passa de histerismo. O que existe na verdade são pessoas com uma capacidade de criação e imaginação mais desenvolvidas que os outros do seu universo.
Uma das coisas mais intrigantes são pessoas que se dizem divinas. Isto existe desde o começo do homem “inteligente”. Eles se acham poderosos e capazes. Conseguem convencer um grupo de pessoas, mas com capacidade de ação física ou intelectual mesmo dentro das suas limitações terrenas. São os formadores de cultura, que quando não conseguem convencer, aplicam a violência e o medo. São os governos ditadores, os grupos religiosos fanáticos ou coisas parecidas.
Quando você se deita numa relva ou mesmo na areia da praia e olha para o céu à noite, o que você vê não passa da sua estupidez de não entender nada do que está vendo. Uns diziam que eram furos no firmamento em que a luz transpassava. Hoje se diz que são estrelas. Mas os mais estudiosos afirmam que tudo aquilo que você vê não passa de luz. Somente luz. Pois muitas daquelas luzes já não representam mais nenhum objeto ou estrela como se queira dizer. Elas já se foram a milhares de anos luz.
As pessoas costumam tapar o buraco de sua ignorância com uma religião para justificar um Deus que na verdade não conhecemos e nem há possibilidade de conhecer. Pois não somos capazes de nos conhecermos, de sabermos como somos intimamente, quanto mais conhecer algo que nem sequer temos idéia de como pode, poderia ou mesmo poderá ser.
Não sei nem como explicar a ignorância da não percepção da existência de Deus. Tudo que vemos e percebemos alegamos que é feito por Deus, é infinitamente insignificante para o poder que a gente delega a si próprio, se é que podemos usar esta palavra, foi ou é Deus.
Há uma necessidade imperiosa de se provar que existe Deus, para muitos, para que haja uma dominação das consciências das outras pessoas. Assim fica mais fácil de convencê-los de que devemos fazer isso ou aquilo, sob a ameaça de num infinito pré-estabelecido, encontrarmos a felicidade.
Como as pessoas têm um medo infinito da não felicidade, ficam heroicamente lutando contra a si mesmo e contra as suas vontades natas, para garantir uma felicidade que ele na verdade nem sabe se existe.
Pois não acredito que alguém tem cem por cento de certeza de que há vida após a morte. Todos falam e garantem, mas lá no fundo da sua pobre consciência, existe uma dúvida terrível, que para amenizá-la recorre a alguma religião, seita ou ritos para aliviar a sua incerteza.
Os mais sabidos se tornam enviados do divino, são os monges, os padres e principalmente os pastores que se consideram os mais privilegiados. Chegam até a ironizar as crenças dos outros como se fossem os únicos que vão a um reino que ainda não virou república, mas são socialistas; todos têm direitos iguais depois que chegam lá. Pois, antes, têm que se privar de muitas coisas que é difícil de julgar pelos outros que não tem nenhuma tendência ao medo religioso de ir para o inferno de cabeça pra baixo e o c... pra cima.
O grande problema é da nossa dificuldade de perceber e sentir as coisas como elas são. Se alguém tem alguma alucinação, tem certeza de que a sua percepção é verdadeira e a outra pessoa que está percebendo o alucinado, como não consegue vivenciar a mesma coisa, simplesmente não acredita no que o outro está sentindo e simplesmente diz que é algo, baseado em tudo aquilo que aprendeu na sua experiência de vida. Se sua experiência for ligada diretamente à religião, pode dizer que é um milagre ou apenas coisas do demônio. Se for um cientista, passa a desconfiar de tudo aquilo que não é palpável. E no fim das contas ninguém sabe onde está a VERDADE, se é que ela existe mesmo ou é até alucinação.
Cada cultura fala da vida como uma coisa em que a gente está aqui para uma provação. Provação de que? Antes existíamos? Como é que um Deus que tem poderes infinitos, inteligência infinita poderia agir dessa forma, humana?
Há até quem diga que somos a sua imagem e semelhança! Quem tem a nossa imagem e semelhança é o macaco! Outros, para confundir, dizem que essa imagem e semelhança e no caráter. Quer dizer, continua-se a não se saber nada, mas continuam a confundir os pobres de espírito para que eles sejam manipulados e se necessário, amarra-se umas bananas de dinamite em seu corpo e em nome de Deus se pratica um ato heróico! Salve Alá!
Pra mim o mais impressionante sou eu dentro de mim mesmo, falando comigo mesmo e ainda chamo isso de consciência.
A final o que é a vida?

Meu Deus, como há tanta divergência! Quando eu morrer vou pro céu. E depois?

O REVERSO DA FÁBULA

 A FORMIGA E A CIGARRA (1990)


É certo que, quem escreveu essa fábula, há muitos anos atrás, talvez não tivesse a intenção de ressaltar, a idéia de que o trabalho insistente, cansativo e como único objetivo de provisão, é que era o correto.

Quando criança e adolescente ouvi muito dos mais velhos, de que a forma correta de trabalho era aquela. Mesmo que fosse insalubre, cansativa, sem graça, uma porcaria, não importava. E sim, no fim do mês, o salário.
A era da industrialização.
Costumava-se a dizer e a pregar aos ventos, de que fulano estudou queimando as pestanas no candeeiro e foi ser um funcionário público. Isso era uma atividade excepcional, pois no fim da vida, tornar-se-ia um grande aposentado, e viveria o resto da vida feliz.

O tempo foi passando e eu acreditando que esta era a forma de vida melhor que se podia acreditar. Apesar de no íntimo perceber algo diferente, deixei-me levar às opiniões dos mais velhos. Ora, os mais velhos sempre estão certos! Ou não?

A coisa não é bem assim.
Existem velhos bons e velhos pouco confiáveis. O problema é saber quem. Dentro de nós, algo conversa com a gente. Uns chamam de consciência, outros a voz de Deus. Quem está com a razão, os experientes ou esta voz insistente?

Certa vez eu comprei uma máquina de cortar madeira, chamada de tico-tico. Era uma serra que cortava praticamente tudo, mas meu pai quando soube do preço que eu paguei, retrucou me dizendo: “Por que não comprou um bom serrote?” Ora, no seu universo não existiam serras tico-tico, e sim um bom serrote. Este é o grande problema, este era o seu paradigma!

Pouco tempo atrás, as pessoas eram consideradas competentes quando sabiam datilografar a 180 ou 200 toques por minuto. Mesmo que escrevesse algumas palavras erradas. Mas era uma velocidade excepcional. O indivíduo era considerado um exímio datilógrafo. Facilmente arranjava um emprego e se sentia uma pessoa importante no seu meio. Pobres dos datilógrafos diante dos digitadores de hoje. Mas apesar dos computadores corrigirem automaticamente os seus erros, não dá, hoje, o mesmo valor que se dava aos datilógrafos. E o mundo assim, vai caminhando, com os seus novos paradigmas.

Hoje o que nós, os mais velhos, pensamos que se trata de um avanço, no futuro não passará de uma coisa corriqueira. A única coisa importante que se guarda na velhice é a experiência de vida, poderosa arma para tomar decisões. Mas mesmo assim, deve ser feita com muita cautela para não gerar muita expectativa.

Certa vez, uma pessoa mais velha que eu, me disse que nunca o alcançaria em relação a sua experiência. Pois ele sempre estaria à minha frente. Ledo engano. O jovem vai muito mais além do que o velho. Ele vai ao futuro e o velho pára no meio do caminho. Apesar de algumas vezes ter feito história.

Quando eu ouvi aquela fábula de que a formiga trabalhava intensamente, enquanto a cigarra vivia a tocar, eu me lembro que tocar também é um trabalho. Ora, a formiga trabalhava, mas a cigarra devia tocar também para a formiga. E a cigarra era talvez o som ambiente nos locais de trabalho. Algumas cigarras também estão ali tocando enquanto muitas formigas estão trabalhando somente para receber o salário no fim do mês. E a cigarra, ali, está trabalhando, fazendo o que gosta e recebendo o seu salário. Talvez não seja tão bem pago quanto à formiga operária ou o gerente, mas não merece o desprezo que a fábula lhe dá.

Na vida existe uma coisa importante que é a felicidade de cada dia. Trabalhar é muito importante. Mas seguramente, mais importante é ganhar a vida com aquilo que a gente gosta. Não há estresse em demasia. Não precisa gastar dinheiro com psicoterapias. Não precisa chegar em casa de mau humor. Pois afinal ninguém gosta de você, quando você está nos altos e baixos. A cigarra morreu de frio, talvez porque não havia assistência social. Porque vivia em um país onde os interesses eram somente para poucos. Talvez para o plantio da soja, do café, dos dólares enviados para a Suíça. Ou onde se valorizasse apenas os que têm cultura oficial. Esquecendo que nenhuma escola dá ao indivíduo a capacidade de decisão e sim ele já trás consigo.

Quando a gente acha que ter um patrão é tudo, estamos simplesmente delegando o nosso destino a alguém. Será que o patrão tem tempo para isso? Afinal ele tem a vida dele para tocar pra frente. Provavelmente o patrão é uma pessoa que está conquistando aquilo que ele deseja na vida. Quem sabe? Mais uma cigarra!
O sistema capitalista, por exemplo, ofereceu as pessoas uma forma rápida e segura de ganhar dinheiro para quando estiver perto de morrer. Chama-se aposentadoria. O individuo formiga, se acha capaz de produzir, produz, produz bastante, enriquece o patrão, depois morre. Talvez até se aposente. O indivíduo cigarra corre o risco de morrer de frio, mas faz o que gosta e tem a chance de não morrer de frio.
O individuo cigarra também estudou para aprender a tocar sua viola. E foi numa escola especial que nem sempre precisa de professores e sim de exemplos, emoções e um paradigma diferenciado dos outros. Pois foge de todos os padrões pré-estabelecidos.
Vamos ver uns grandes exemplos de cigarras: Bach – naquela época a música estava em formação acadêmica, afinal quem estruturou os tons foi Johan Sebastian Bach. Anos depois o Sr. Beethoven fez a maior sinfonia do mundo. A Nona. E uns quarenta anos atrás os Beatles conquistaram o mundo com novas harmonias e um novo estilo de cantar.

E viva as cigarras! Ou vivam as cigarras?!

A IDA DO TREM DA VIDA


ELE TOMOU O TREM.
Com sua bagagem ele tomou o trem.
Partiu da primeira estação com um sonho e uma vontade de que a chegada final fosse vitoriosa. Partiu o trem que já vinha de outras estações. Mas a sua viagem inicial era agora. Não sabia em quantas paradas ele iria descer e ter que tomar de novo o trem. E assim foi.

TOMOU O TREM.
Quando o trem partiu ele viu que havia pessoas de todas as idades de todos os tipos e de todas as esperanças. Cada uma com a sua mochila como bagagem. Umas de grandes mochilas outras de mochilas vazias.
Durante a viagem que não se sabe quanto tempo iria demorar, dias, meses, anos e muitos anos, essa era a sua viagem.
A primeira estação que ele viu desceu muitos e muitos. Subiram como continuação da viagem ou como o início de outra viagem, outros tantos.

TOMARAM O TREM.
Neste infinito percurso, se desenrolava uma infinidade de histórias, cada um de cada um.
Ele sonhava os seus sonhos que seriam realizados e outros que iam ficando em cada estação que passava. Os grupos iam se formando conforme o interesse de cada um. Uns queriam ser líderes outros simplesmente lhes bastavam a comodidade de não se envolver em coisa alguma desde que tivessem um bom banco para sentar e alimento para saciar a sua fome.

O TREM ANDAVA INCESSANTEMENTE.
As pessoas conversavam entre si os assuntos mais interessantes que lhes convinham.
Certos indivíduos de pouco caráter se aproximavam das pessoas para tirar proveito. Fazia-se de bonzinhos, prestativos e até subservientes. Se alguém lhe pedisse que na próxima estação descesse e fosse comprar amendoins, este iria dando a impressão de que estava fazendo com o maior prazer, quando na verdade estava planejando romper a barreira, a possível barreira do “não”. Corriam até o risco de perder o trem. Mas geralmente seus golpes eram certeiros. Eles costumavam elogiar as pessoas e de chamá-las de meu amigo.

O TREM PASSAVA POR LONGAS PAISAGENS VERDEJANTES.
Cada pessoa olhava através da janela conforme o seu paradigma. Uns comentavam que todo aquele verde era um colírio para os olhos; era paz. Outros diziam que tudo aquilo podia ser aproveitado e construído vários edifícios para que fosse dado emprego a muitos e dinheiro a poucos. Isso levava horas de discussão.
Havia até quem dissesse que era um lugar para meditação e construção de um grande templo.

O TREM CHEGAVA A MAIS UMA ESTAÇÃO. Ouviam-se os freios ringirem contra os trilhos e o choque dos engates dos vagões.
Mais uma vez os passageiros entravam e saiam com suas bagagens. Início para uns, final para outros.
ELE ESTAVA NO TREM DA VIDA.
Como sua simpatia e cultura interessavam aos outros passageiros, ele era cheio de amigos de todos os tipos. Uns, fiel à amizade, outros, fiel ao que ele possuía. Todos queriam estar com ele como o seu líder. Em tudo que se falava, ele conseguia dizer alguma coisa. Principalmente no que se tratava de assuntos ligados a convivência com as pessoas. Ele normalmente bancava as conversas, sempre entre um copo d'água e outro. Todos se deliciavam as suas interpretações e soluções da vida. Quando alguém lhe vinha contar alguma coisa pessoal, ele dava tanta atenção e opiniões boas, que as pessoas quase que não lhe deixavam em paz. Era um tipo meio guru. Como se dizia era um casa cheia.

MAS O TREM CONTINUAVA ANDANDO
e parando sempre nas estações da vida e deixando e recebendo novos passageiros.
Quando algum pobre lhe estendia a mão, ele sempre que podia doava alguma coisa. Quando não era somente dinheiro, dava algum alimento, roupa e às vezes palavras para suportar aquele estilo de vida que muitas vezes era a escolha do próprio indivíduo.
Havia pessoas que passavam no vagão em que ele estava e sentia asco pelo seu comportamento. Ora, ele fazia coisas de deixar estas pessoas com vontade, mas não se arriscaria a fazer por medo, vergonha ou simplesmente por dar ouvido a opinião pública. Daí ouvia-se as críticas, tipo: - ele é um irresponsável que não quer nada com a vida, só pensa em brincar e a fazer coisas vergonhosas.

MAS O TREM CONTINUAVA A RODAR
sobre os trilhos da vida, continuamente...
Ele tanto fazia brincar com os adultos como com as crianças. Essa talvez o entendesse melhor que os outros.
As pessoas que não gostavam da atitude dele não possuíam o mesmo nível cultural dele. Geralmente eram pessoas preconceituosas com um nível de preconceito elevado a respeito de várias áreas entre elas política e religião. E religião sim. Aí é que pegava fogo. Era aquele medo terrível do pecado e de ir para o inferno.
Só para ilustrar, ele costumava a dizer que Deus não estava preocupado com o tipo de oração, reza, ou seja, lá o que for, pois antes que qualquer um de nós pensasse em qualquer forma, Deus já sabia a nossa intenção. Então era bastante ser direto a Deus e um “pai nosso” já era mais que suficiente.
Isso fazia com que as pessoas o tratassem como herege.

O TREM PAROU
De repente, uma das pessoas que estava ali feliz com a viagem desembarca de repente, sem ninguém esperar. Todos ficam chocados. Uns choram, outros lamentam a saída tão cedo. Muitos tentam explicar essa partida tão rápida. Cada um com a sua teoria, com a sua religião, mas não consegue explicar realmente o que aconteceu. Ninguém tem provas concretas para onde essa pessoa tão jovem foi parar. Nem esperou a estação chegar. Partiu muito rápido e para o desconhecido. Deixou pessoas amigas, parentes, conhecidos, todos desapontados. Mas foi assim mesmo.

O TREM PARTIA EM DIREÇÃO A PRÓXIMA PARADA.
Era só mais uma estação.
Muita gente que estava ali tão bem sentada e achando tão boa a viagem, já estava designada a descer na próxima parada. Era a sua vez de descer ou esperar por outro trem. Nem sempre quando descem, descem com os amigos e com os parentes. Muitas vezes é abandonada na próxima estação a sua própria sorte. Até que se erga e continue a sua viagem no próximo trem.
Talvez encontre novos amigos na estação que lhe dê força e retome a sua ida no trem. Nessa hora vai ser muito difícil. Ou vai ser desprezada por todos ou vai aparecer pessoas que ajude, mas com muito receio. Como se fracasso fosse contagioso. São pessoas que ajudam, mas querem que você siga exatamente os passos por ela determinados com se este fosse o único método certo e correto de todas as verdades do universo. São os pseudos líderes de papel. Geralmente são arrogantes ou mandões ardilosos que na sua sutileza nos obriga a seguir os seus passos sem outra opção. Caso contrário nos afunda mais. Além de não ajudar informam aos outros da estação que seria perigoso tomarmos o trem.
Mas os trens continuam a passar nas estações. Um de cada vez. Um sempre atrás do outro.

VOLTEMOS AO PRIMEIRO TREM DA NOSSA HISTÓRIA.
As pessoas já estão esquecendo dos primeiros incidentes. Uns lembram contando as desventuras das pessoas que não fizeram certo como devia ser (?). Outros lembram as pessoas que descem de repente com uma missão e pronto. Já estão justificadas com a piedade e já podem ir para o céu quando chegar a sua vez. Quem sabe, até querer que o trem pare em sua homenagem.
Durante a viagem as pessoas trabalham, negociam, se divertem ou fazem qualquer coisa para tornar significativa a sua viagem. Outros não saem das suas poltronas, pois alguém de muito poder monetário patrocina esta sua aventura do marasmo. São pessoas que possuem a capacidade de transformar o inútil em nada. Mas no trem todos vivem a sua maneira com as suas aptidões. Existem pessoas lá no trem que passou toda a viagem negociando dinheiro com as pessoas. Ele só pensava em juros, taxas ou qualquer coisa que se relacionasse com valores financeiros. Sempre se referia que tinha dez empregados. Eram os dez algarismos arábicos.
Outros eram mais solidários com as pessoas. Eram chamados de idiotas, socialistas, amigos dos pobres, babas e outros adjetivos mais. Eram os que em vez de juntar, só pensavam em dividir. Nunca iriam ter nada na vida. Era assim que eram observados.

O TREM PAROU EM MAIS UMA ESTAÇÃO.
Alguns desceram para comprar algo para si ou para vender dentro do trem. É assim que se faz durante a viagem. Um, talvez cansado de viver aquela vida sem nenhum objetivo prático de ganhar dinheiro, optou por uma linha que para uns é designo de Deus e para outros é obra do demônio. Foi até a uma livraria na estação e comprou uma bíblia daquelas que não há nenhuma interpretação no rodapé. Das simples. Voltou ao trem e começou a pregar uma nova maneira de interpretar a sua religiosidade. Começou a convocar alguns amigos, os mais conhecidos e os que através do medo o considerou como um enviado para aquela viagem magnífica de trem. Falando em voz alta e distribuindo mensagens, convocava a todos para irem aos céus. Antes, porém todos tinham que dar uma parte do seu esforço material, podia ser em dinheiro, para que fosse construída a grande idéia da sapiência dividam. Todos aqueles que estivessem doando dez por cento do que possuía, estaria cumprindo a grande obra da Sapiência Divina. Deus olharia com mais carinho para aquelas que se propusessem a fazer as tais doações. Aproveitando as inúmeras interpretações que se faz da bíblia, inclusive daquelas em que se lê um parágrafo de um livro, juntamente com o parágrafo de outro livro, se consegue fazer uma interpretação daquilo que se quer incutir nas pessoas mais influenciáveis, que há aos montes em cada vagão. Com isso as pessoas iam ficando mais envolvidas e começavam a achar que todo o trem estava perdido e que eles eram os escolhidos. Só que neste ínterim o líder religioso estava além de adquirindo poderes sobre as pessoas estava se enriquecendo e com isso almejando poderes políticos também. A sua meta agora era conduzir o destino do trem. Talvez mandar construir uns novos trilhos para que o trem tomasse o destino de novas estações.

E ENQUANTO ISSO, O TREM DISPARAVA EM DIREÇÃO A SEU VERDADEIRO DESTINO.
Havia pessoas com as mais variadas intenções. Pessoas com idéias políticas de que ao assumirem tais postos deixariam todos em um verdadeiro paraíso. Essas são pessoas especiais que são capazes de convencer de uma só vez, milhares de eleitores com suas idéias mirabolantes. Se duvidar eles querem convencer a todo comboio. Eles prometem como sempre emprego, assistência médica de graça, mais transportes subsidiados, e muitas novelas na TV.

MAS O TREM É IMPLACÁVEL NO SEU TRAJETO.
Não pára, continua em frente. Cada estação é uma oportunidade ou um fracasso de cada um que fica ou que vai.
Muitas pessoas que estão bem na viagem, resolvem descer e parar em alguma estação, na intenção de que é ali a sua parada. Ledo engano. Aquela estação seria uma provação na sua vida, se não for para o resto da vida. Escapam-lhes os amigos, as oportunidades, enfim o sossego.
Passa a ser considerado aquele que não teve mais coragem de viajar para o sucesso. Ora, e aquele que desceu e tudo deu certo? Qual seria a explicação? Talvez algum dia essa explicação convença a pessoa que se deu bem na vida. Ele logo vai dizer que foi muito trabalho e muita dedicação que fez o seu sucesso. Mas o outro, provavelmente, não vai se conformar, pois talvez tenha se dedicado o tanto quanto, mas na hora errada.
Vai aparecer aquele que toma partido para um em detrimento do outro. Acusa-o até a falta de fé.
É comum até junto a sua poltrona, aquele que lhe conhece muito bem e que em vez de falar coisas boas para que haja motivação para se reerguer, faz uma crítica implacável que o desestimula para toda vida.
Esses são os donos da verdade, o seu universo é congelado, sólido. Seu paradigma é irredutível. Geralmente são pessoas que sofrem, mas não dá o braço a torcer. E nem tão pouco liga para o destino do trem. Não toma conhecimento do destino e do tempo da viagem. Só lhe interessa a rigidez do seu ponto de vista.
Por onde o trem passava se via; ora terras férteis e verdejantes ora regiões insólitas com a impressão de que a água nunca passou por ali.
A impressão que dava era de que as pessoas respondiam na sua psique aquela mesma impressão. Talvez lembrassem dos momentos da vida em que há em certas épocas que a vida é um paraíso e em seguida torna-se insalubre e tórrido onde tudo é de uma só cor. A cor da tristeza.
Outra vez a cena da fertilidade do verde e o céu azul-anil, tornassem as pessoas mais alegres e mais positivas não só admirando as cores como o perfume exalado pela vegetação. Aquele cheiro de viço. Cheiro de natureza.
Enquanto o trem seguia nesta aventura de cenários os passageiros continuavam na sua aventura de conquistas dos seus objetivos. Sempre aparecia pessoas que a troco de oportunidades e dinheiro, se prontificava a ensinar qualquer coisa que fosse possível ser transmitido para os descendentes. Com a quantidade de informações que a cada estação ia se acumulando mais pessoas estavam ansiosas de adquiri-las. Eram professores de idiomas, sim os idiomas mais comerciais e os que estavam na moda. Cursos tradicionais e aqueles que servem para que as pessoas se sintam como se fossem realmente pessoas cultas e informadas. Mesmo que não houvesse a menor pretensão de usá-las. Tipo, curso universitário para cuidar do lar.
Durante a viagem era comum pessoas de uns trens virem para outros trens. Estes eram os estrangeiros. Uns vinham com a intenção de conhecimentos a respeito da cultura dos outros. Outros queriam apenas passear e se divertir aproveitando o poder de compra das suas moedas. Pois costumavam comprar os produtos dos trens de cá e enriquecer os trens de lá, garantido que estavam fazendo bons negócios. Usando meios de que a moeda de cá sempre ficasse com baixo poder aquisitivo. Isso era o monopólio dos trens de ouro.

MAS A VIAGEM AINDA CONTINUAVA, ONDE SE OUVIAM AS BATIDAS DAS EMENDAS DOS TRILHOS.
O famoso som onomatopaico do dem-dem, tem-tem, sem parar. Principalmente quando se passava pelos intermináveis túneis, transpassando as montanhas.
Ele se divertia e gozava todas paradas e saídas que o trem fazia. Não esperava que a sua primeira saída do trem estava por vir. Todos os amigos lhe cortejava. Ele pensava que sempre seria assim. Quantos amigos são bons. Não preciso de mais nada. Muitas vezes era só pensar em alguém que vinha logo ao seu encontro. Não sabia ele que não era mera coincidência, era muita coincidência e muita mesmo. A experiência diz que amizade só existe quando ela é espiritual a amizade que é estimulada por bens materiais é puramente interesse. Quando a primeira pode ser utopia e a segunda necessidade.


MAS O TREM CONTINUA A RODAR E A SEGUIR EM FRENTE...

A conquista da vida

A conquista da vida


Nascemos praticamente sem nenhum objetivo. Não sabemos o que viemos fazer aqui.
Um dia, a gente toma consciência de que existimos. Pronto. Começa a vida de cada um.
Tudo é desconhecido. Tudo nos parece novidade. Aprender a andar, aprender a compreender cada coisa a cada dia. Isto juntamente com as nossas capacidades intrínsecas da nossa espécie, se quiser, chamaremos de instinto animal. Somos um ser de uma considerável capacidade criativa e de inteligência, se comparado aos outros animais existentes neste planeta.
Os animais neste planeta variam conforme a programação instintiva de que eles foram concebidos. Nós que estamos no topo dessa evolução possuímos capacidades de aprendizado que vai evoluindo sempre. Os outros animais, é como se estivessem ainda na fila da evolução, que raramente evoluem, lentamente, pouco perceptível. Às vezes é necessário uma espécie de triagem da natureza que até eliminam espécies e se criam outras.
A nossa espécie evoluiu sempre, que mais nos destacou; a linguagem. Somos capazes de falar, ler e escrever. Muito embora nem todos os humanos leiam, ou escrevam. Com a evolução da espécie humana, a escrita foi se difundindo gradativamente com os indivíduos que melhor tiveram oportunidades.

Quando o ser humano ainda é criança, pelo fato de não possuir muitas informações, ele vai adquirindo lenta e gradualmente com os indivíduos adultos, ou os que já estão vivos aqui há mais tempo neste planeta. São informações que normalmente chamamos de cultura, que vai sendo incutido a maneira de cada um, de cada região em que se vive.

A evolução humana, comparando-se, desde os primórdios até hoje, supera qualquer animal deste planeta. Com isso, criamos formas de cultura altamente sofisticada, incluindo formas, dentre outras a forma política, na qual redirecionamos os nossos rumos no plano material e a forma religiosa que definimos os nossos caminhos no plano espiritual.

Com essa complexidade de culturas uma pergunta se torna obvia: Que sentido tem a conquista da nossa vida enquanto vivemos e depois da morte?
Existem pessoas que acreditam que a grande conquista é chegar na velhice, com bastante riqueza, um harém de descendentes e todos lhe adorando como o grande conquistador do caminho da vida. Talvez ele nem acredite que depois da morte aconteça alguma coisa.
Outros vêem a vida como uma passagem, de onde eles nem sabem, mas que estão seguindo, e que projetam toda as suas forças, energias, para um dia quando morrer, irem para um lugar ideal de felicidade.

Quem estará certo?
A primeira forma é mais prática e a gente pode tocar, vivenciar e sentir o andamento a cada dia. Pois com as conquistas imediatas, bem sucedidas, vão sendo motivo de estímulo para a próxima empreitada. Não importa se as outras pessoas venham consigo. Pois afinal, ainda não foi encontrada a forma de todos serem felizes ao mesmo tempo nesta vida.
Para que se tenha bastante oportunidade de realizar algo, é tirado de muitos para ser dado ao um só. Com essa forma durante a vida toda, uns vão viver a vida com muito luxo enquanto outros terão que viver no sofrimento material. Como exemplo, os reis. Eles convencem a todos de que são merecidos por Deus, têm uma grande missão, de que são os donos daquele país, são pessoas especiais, merecem todo o luxo e toda a riqueza necessária para a sua satisfação pessoal.
Enquanto isso, o povo banca essa felicidade.

A outra forma de se viver neste mundo é a forma espiritual.
Vive-se na esperança de que depois de tanto sofrimento aqui nesta vida, quando morrer, vai receber um benefício de felicidade, conforme a sua capacidade de resignação nesta vida atual.
Diante destes dois extremos, como é normal, ou conveniente, ou obrigatório, ou não tem outra saída, existe uma graduação entre viver a vida material e a vida espiritual.
Tudo isso depende das informações que se recebe durante a vida. Quando uma pessoa nasce em berço de ouro, tem a oportunidade de uma vida cheia de bondades materiais. Ele pode ter uma religião que prega uma vida futura cheia de bondades, céus e paraísos,  mas não vai deixar de lado as bondades materiais, palpáveis que ele tem em abundância.

O outro que nasceu num meio cheio de carências materiais, prefere se apegar mais à religião para que o seu sofrimento não seja tão doloroso.
Só que entre estes dois exemplos está a grande escala de valores; entre o extremamente religioso e o materialista que nem acredita na existência de nenhuma divindade
.
Daí vem a grande diversidade de valores e grandes interesses, dependendo do objetivo de cada um indivíduo, para que conquiste mais adeptos a sua ideologia, não sendo necessariamente igual ao idealizador.
Exemplos: É bom que muitos acreditem que nem todos podem ser ricos materialmente, para que alguns vivam bem a custa dos outros.
É bom que muitos acreditem que riqueza não trás felicidade, para que alguns se tornem líderes religiosos e pratiquem a caridade com o poder financeiro da grande maioria dos adeptos. Eles embolsam uma parte das doações para seu bel prazer e outra parte para minimizar a dor dos excluídos, como forma de dizer aos outros: Veja como eu sou bom.

Os outros valores desta escala são os que prestam serviços e comerciantes. Dentre estes estão os que agem com honestidade pensando que agindo assim vão para o céu e os desonestos que não se importam com o que pode acontecer com o futuro.
O restante do espaço que sobra, são as pessoas que por não conseguirem se adaptar a este processo evolutivo, tornam-se doentes. São os maníacos, os tarados, os psicóticos, os neuróticos e etc.


Quando seremos realmente evoluídos? Após a morte? Quando um carro de fogo vier do céu e nos fazerem engolir um livro como Ezequiel, na Bíblia.