terça-feira, 31 de dezembro de 2013

JORNAL DO DIA



JORNAL DO DIA


Olinda, 15 de outubro de 1788.

MOZART EM OLINDA

Acaba de atracar no Porto da cidade do Recife, a nau denominada Leopold. Esta embarcação que há dois dias se encontra nesta cidade, desembarcou o maestro e compositor Wolfgang Amadeus Mozart. Músico de renome internacional que muitos daqueles que foi a Europa já deve ter ouvido falar em suas obras. Ele já realizou alguns eventos iniciando no Theatro de Santa Isabel, com a apresentação de sua orquestra afinadíssima e de um esplendor incomparável.
Tem havido muita fluência de apreciadores da nova música, alegre e de um bom gosto incomparável.
A sua mais recente apresentação foi realizada ao ar livre como ele mesmo tomou a iniciativa e aconteceu um fato inusitado cujo resultado ficará gravado na sua história de regente.
O maestro Mozart, dirigiu-se para as ruas da cidade de Olinda ao norte da capital de Pernambuco e em uma daquelas belíssimas ruas da parte alta da cidade, em um pátio, diante de uma belíssima construção barroca de uma igreja Católica, resolveu ali instalar o corpo de sua orquestra.
Para que a população da referida cidade tivesse o prazer de ouvir as suas músicas não hesitou em executar a Sinfonia nº 40. Belíssima obra cujo esplendor é a alegria. Como nesta data também há uma festa pulular na parte baixa da cidade, mais precisamente na praia do Carmo, um grupo de músicos folclóricos de um maracatu passou diante da belíssima orquestra no momento em  que iniciava a execução da sinfonia.
Ora, foi de impressionar o fato ocorrido. O largo da igreja que ora abrigava a orquestra tornou-se o palco e a rua que descia para o bairro do Carmo, fez-se à platéia.
Já havia um número considerável de apreciadores e curiosos. Quem sabe se não eram mais de trezentas pessoas.
Uma multidão enfim.
O encontro de dois estilos musicais completamente adverso poderia chocar qualquer um que por acaso previsse o acontecimento do fato. Porém como foi um evento completamente ocasional, comoveu até o próprio maestro.
Quando a música iniciou os seus primeiros acordes, um dos músicos do maracatu, um preto velho, vestido com roupas características do seu meio, barbas longas e brancas, conduzia em uma das mãos um pequeno instrumento denominado maracá. Coisa de primitivo. Não se conteve e desembaiou ritmos cadenciais do seu instrumento no momento em que ouviu a beleza daquela música que nunca havia atravessado os seus tímpanos e talvez nem estivesse entendendo o que acontecia naquele momento.
Em seguida com todo aquele calor que fazia naquela tarde, os outros tocadores de tambor, um tambor de um diâmetro considerável e de uma sonorização grave e abrupta, disputou o alegro que ora invadia o ar. Achando pouco dentro da sua rude interpretação, eles emitiram um brado como se fossem para a guerra. Todos em volta fizeram um ar de censura mas sem indignação. Ninguém nem mesmo sabia o que estava acontecendo. O maestro Mozart virou-se discretamente, por sobre o seu ombro direito, fez um sinal de silêncio pondo o dedo em riste sobre a boca.
De fato não gritaram mais. Porém a partir daí ouve-se uma combinação do primitivo com o mais recente e mais moderno. A maracá na mão do velho que se vestia colorido, não só de corpo, mas de alma, se envolveu de tal forma com o que ouvia que não mais parou de agitar o seu instrumento.
Ele completou o ritmo da sinfonia e nas partes mais suaves, se destacava a beleza e suavidade deste glorioso encontro. Quando a música se elevava, os tamboristas desaguavam em uma sonoridade vibrante e vigorosa. Os tambores batiam que ecoavam em toda a cidade. O maestro ficou tão impressionado que já no fim da execução deixou a sua orquestra entregue ao destino e virou-se para o grupo de maracatu, para ver de perto aquilo que também ele não imaginava que existia.
Foi ao encontro do tocador de maracá e cumprimentou-o logo que a sua orquestre encerrou os últimos acordes em conjunto com o homem da maracá.
As pessoas batiam palmas incessantemente e ovacionavam um espetáculo que vai ficar na história da cidade de Olinda e na vida dos presentes.




Sidney Falcão (estória de ficção)

CHEGUEI AOS SESSENTA

CHEGUEI AOS SESSENTA - estou passando já





Eu já completei os meus sessenta anos. A música dos Beatles dizia, “quanto eu tiver sessenta e quatro anos”. Eu já estou perto. Essa letra ainda se referia no aspecto do indivíduo, careca, cabelos brancos e etc.Eu já estou como a música de Luiz Gonzaga diz: “os meus cabelos já começa a clarear.Eu tenho feito uma reflexão do que se passou pela minha vida. Já tenho netos já vi muitos “filmes” da vida. Tenho pouca coisa para querer dessa vida. Já venho fazendo reflexões da morte, pois no decorrer da minha vida ela está mais perto do que longe. Tenho que aproveitar o resto que me sobra para transformar em alegrias e alegrar os outros, principalmente os meus descendentes.Tenho a esperança de voltar a reaver o meu emprego perdido por uma fatalidade da vida. Fiz a minha parte dentro do que podia fazer. Não tenho mágoas dos defeitos de meus pais que já morreram. Com certeza eles fizeram tudo dentro dos seus paradigmas. Minha mãe, uma pessoa inocente para as sacanagens da vida. Pouco sabia o quanto o mundo é perverso. O meu pai educava com muita rigidez, mas foi um exemplo do mais alto grau de honestidade, mesmo assim foi traído e acusado de desonesto quando trabalhava no banco de alagoas por um “amigo”. Graças ao seu temperamento, livrou-se do empecilho.Eu já fui jovem e tive meus méritos e cometi os meus erros. Dediquei-me de corpo e alma pelos meus sonhos. Quase que fazia todos. Faltaram alguns, mas conquistei outros. Consegui fazer um pouco da tradição da sociedade que vivo. Constitui família, participei de cerimônias sociais, e hoje tenho a minha segunda geração de descendentes. A todos eles eu admiro e tenho muita esperança nos bons futuros que espera por eles. O meu país é o país deles com uma vantagem; será mais rico em oportunidades e espero que não tenha mais dirigentes tão corruptos quanto os que lideraram os governos anteriores e durante o golpe militar, onde tudo era proibido.Foram os Beatles de me deram um referencial para eu seguir a vida. Foi o novo que me fez se assim como sou. Foi à mudança e a capacidade de enfrentar os desdéns da vida que me deu este calibre que possuo hoje. Eu sou dono de mim. Quem manda em mim sou eu.Fui uma pessoa que acreditava em Deus e na religião. Hoje amadureci e descobri que não preciso mais de religião, mas o conhecimento de religião me foi muito útil. Assim eu pude entender a moral e a ética que já havia dentro de mim e faltava polir. Sei que a religião, é como diz no livro “Os Sertões” de Euclydes da Cunha: Religião é o meio de desendoidar as pessoas. Sim é claro, quando você não acerta, ela pode lhe ajudar. Não precisa ficar fanático. Pois o fanatismo é cego. Você precisa pensar.Aprendi a ser o dono supremo das minhas vontades e que, quem tem que decidir a minha vida sou eu. “John Lennon diz em uma música de sua autoria “Atos tem uni verse”; “Ninguém vai mudar o meu mundo”; (nothing is got a change my world). E é assim que deve ser. As minhas companhias são para andar ao meu lado, e não na minha frente. Os amigos andam atrás para que quando a gente cair eles estarão atentos para ajudar a nos levantar. Os que vão à frente não querem nada de nós a não ser o que podemos oferecer de benefício. São os amigos moscas. No dia em que você não tiver o que oferecer eles lhe destroem e riem da sua cara.Cheguei aos sessenta anos e vejo o mundo igual em tudo que se refere a moral e ética. Nada mudou a não ser a tecnologia, o visual, o virtual que diz que é sem ser.Mas ainda tem coisa que não consegui ver. O meu exemplo, nos meus descendentes no que se refere a força de vontade e ânimo nos momentos de dificuldades por mais que sejam temporariamente superior as nossas forças.Eu fui vítima dos modelos sociais em que para ser homem, tinha que fumar e beber. Eu para me integrar ao grupo de “amigos moscas” tinha que ser idiota para que eles pudessem rir de mim, quando eu achava que era porque estava agradando. Não passava de um boneco de diversão destes amigos. Em todo canto que estava, tinha que participar de beber e fumar para que impusesse a aparência de eficiência. Não fui bobo. Fui vítima de uma coisa que eu não sabia e que foi preciso eu refletir muito aos meus cinqüenta anos, pois os meus pais não haviam passado isso pra mim. A mudança que aconteceu nos anos sessenta foi tão grande, que os pais daquela época não conseguiam acompanhar. Os filhos caminhavam sozinhos. Os “cabeça” conseguiam seguir a vida. Os outros morriam, literalmente, viciados, presos ou falidos e esperando que alguém lhes desse alguma esmola. Muitos amigos meus caíram nessa armadilha. Outros se deram bem. Cada um com a sua dificuldade. O valor da vida está na luta que se trava. Não tem culpa nem culpados.Por consciência, sem precisar de qualquer remédio e sem temer conseqüências, deixei de tomar drogas lícitas e ilícitas para conseguir ver o mundo que vivo sem precisar de muletas.Hoje estou caminhando para o fim da minha vida. Por isso devo aproveitá-la da melhor maneira possível. E descobri que não preciso de me sociabilizar com o mau. Eu sou o Sidney antes e serei depois!Pouco me importa se depois que morrer eu terei vida eterna ou não. Não sei do que vai acontecer depois da minha morte. Mas agora na minha vida eu quero ter a alegria de ter os meus filhos felizes sem precisar ingerir álcool ou qualquer que seja a droga, para ser feliz. Quero que meus descendentes levem consigo o meu Gen que me faz dono de mim sem precisar de alguém para ser EU próprio.Com toda a certeza, de toda a experiência da minha vida e de tudo que aprendi, você é um cara inteligente, generoso, líder de grupo, perseverante naquilo que gosta de fazer, amigo, sensível, honesto, bom pai, sonhador de que um dia esse pesadelo da vida vai passar e todos devam comemorar... então? Tá precisando de quê para acreditar em tudo isso?Você não precisa de muleta! Você chega até a ser a muleta de muitos que não merecem nem uma bengala, pois sabem andar e amolecem para que você os carregue. Os seus inimigos lhe corteja para que você não perceba a maldade que eles planejam contra você. Uso os argumentos que eu vivenciei na vida. Eles ainda serão válidos, pois moral e ética não se acaba com o tempo. Diga pra si que: “ Sou dono de mim, gosto de mim e não admito que eles ditem as regras da minha vida.” Eles sim: farão o que digo, ou sigam os seus caminhos tortuosos deixando a mim e os meus seguirem a nossa reta.Peço a Deus dos Universos, de todas as Galáxias que nos abençoe e nos livre dos infortúnios desta vida e que tenhamos a Força.Falcão veio.

A NOVA CASA

NOVA CASA (que viagem...)









Uma dessas belas noites em que eu viajo para outras dimensões me encontrei com uma pessoa que há muito tempo eu não via. A tia Coeli.

Tia Celi, como todos chamavam era mãe de uma amiga de infância de minha mulher. Depois que eu me casei, chegamos até ser vizinhos. Ela conversava bastante com a gente e gostava muito de ler livros que tratavam de assuntos polêmicos, tais como esoterismo, discos voadores e vida após a morte. era uma pessoa que ninguém tinha o que reclamar muito simpática e generosa.

Mas um dia ela sofreu de um problema vascular e isso serviu de desculpa para ela partir definitivamente para outra dimensão da vida.

Passaram alguns anos e um dia em umas das viagens que eu sempre costumei fazer, fui a seu encontro. Como sempre, eu vou dormir e aí nos meus sonhos saio da minha cama e numa posição como se eu estivesse sentado no vazio desloco-me da cama e vou por aí.

Chegando a um lugar que até então era desconhecido para mim, cheguei a um lugar que parecia mais uma fazenda do que uma cidade. Parei no meu vôo e cheguei numa casa parecida com as casas comuns que a gente conhece por aqui. Era um dia ensolarado, o céu azul, uma vegetação verde-amarelo exuberante.

Logo na entrada da casa havia uma sala eu que se encontravam pessoas também conhecidas por todos: O ex-presidente Juscelino Kubticheque, o ex-presidente Jânio Quadros e uma outra pessoa que eu já vi, mas não lembro o nome. Também era conhecido por todos.

Na sala havia uma eletrola marrom do tipo daquelas dos anos 50. A sala não era muito grande deveria ter uns 3 x 4 metros. Quando eu cheguei fui bem recebido por eles, se dirigiram a mim e começaram conversar comigo. Todos estavam ouvindo música. Música provavelmente dos anos 50. Em cima do móvel da eletrola havia uns objetos interessante tais como biscuis. O que me chamou a atenção foi um sapatinho de metal daqueles que se coloca um lápis. Jânio Quadros me mostrava os objetos e alguns discos de vinil. Eu comecei a me interessar e a conversar com eles sobre aquelas coisas que há muito tempo não havia mais visto.

Foi quando eu observei uma porta mais adiante e uma área coberta que dava para ver um campo imenso. Era como se fosse um quintal, mas era muito grande, muito grande. Era até onde a vista alcançava. E este tipo de alpendre continuava até mais ou menos uns seis ou sete metros. Eu me dirigi pra lá e os senhores continuaram lá na sala.

Fui caminhando quando de repente eu me encontrei com a tia Celi.

Ela vindo em minha direção sorriu e falou: "O que é que você está fazendo por aqui?”.

Eu expliquei que estava fazendo umas das minhas viagens habituais e fui parar ali. Ela muito alegre começou a conversar comigo. Chamou-me para eu conhecer o lugar em que ela estava morando e que estava ansiosa para que um dia todos nós fossemos para lá.

Eu perguntei como ela estava de morada nova. Ela respondeu que ali era uma maravilha. Havia recebido o direito de construir uma casa e foi me levando para o local. Realmente era belo. A vegetação, poucas vezes a gente vê por aqui. Só na televisão.

Em um dado momento a minha direita eu vi um leão se aproximando da gente. Eu fiquei com medo do animal e tia Celi quando observou, calmamente me disse: "Não se preocupe. Os animais por aqui não molestam ninguém. Por aqui tudo é paz". De certo. O animal passou bem perto da gente e nem sequer olhou. era muito grande, era um leão adulto. Passou e foi embora.

O local em que tia Celi ia construir a sua casa era uma parte do terreno alta cheia de árvores e capins verde, mas meio amarelados, como se fosse por causa do Sol.

Havia uns montes mais adiante, mas era tudo verde e muito bonito.

Depois a gente começou a falar sobre as pessoas que ainda estão na Terra. Ela falou: "Estou com muitas saudades das meninas". "Estou ansiosa para ver o dia em que todos vocês estarão aqui um dia. Vai ser muito bom aqui é um lugar muito feliz".

Após alguns momentos de conversa e de saudades da gente eu me despedi e ela veio me acompanhando até a saída da casa. Falei com as outras pessoas, me despedi e voltei para a Terra.

Acordei e ainda fiquei um bom tempo na cama pensando no colorido e na beleza do lugar.

Espero fazer outra viagem.

A IGREJA E A MOEDA




A IGREJA E A MOEDA (eita sonhozinho doido...)










Estava entrando em um local meio escuro que mais parecia um corredor com alguns pães grandes e redondos. Era uma mesa de madeira rústica no canto de um corredor.






Havia muitas pessoas que eu não conhecia, mas dentre outras conhecidas que não lembro estava uma mulher comigo e um conhecido, que parecia que havia vindo sem que ninguém esperasse.


A mulher estava comigo e a gente estava como visitante deste lugar que era aqui no Nordeste do Brasil.


Quando a gente subia uma rampa à esquerda, que era mais ou menos uns dez metros, víamos adiante uma igreja pequena.


Antes eu havia comprado alguma coisa que eu recebi uma moeda de 98 centavos. Achei estranho, mas a mulher que me dera o troco disse que neste local esta moeda era verdadeira.


E como era verdadeira!






Diante da igreja pequena eu apertei a moeda como um controle remoto e as colunas da igreja uma de cada lado subia. Eram enormes e bonitas.


O equipamento que fazia estas torres subirem eram impulsionadas por um equipamento de marca importante. Cada torre que subia quando eu apertava a moeda, era enorme. Deveria ter mais ou menos uns trinta metros ou mais e subiam deslizando por uns trilhos laterais com uma suavidade impressionante. Elas saiam do chão.


Depois eu apontava a moeda para as portas da igreja e apareciam umas portas novas que ficavam sobre as portas antigas. Eram três portas; duas laterais e uma central. Eram portas enormes. E a igreja ficava deslumbrante.


Havia muitas pessoas que ficavam admirando a igreja. Era de noite. Depois que as pessoas admiravam a igreja eu desligava-as através da moeda e as portas desciam girando em sentido anti-horário e sumiam no chão. Assim também as torres desciam e entravam de chão adentro e a igreja ficava novamente pequena e de aspecto pobre.





Todos iam embora e eu com a mulher também.

A REALIDADE E A FICÇÃO



A REALIDADE E A FICÇÃO

CONCEITOS E PARADIGMAS




Muitas vezes as pessoas ficam hesitantes em não querer acreditar em coisas que nem sempre a gente vê, mas sente.
Existem percepções ou sensações que uns dizem que é paranóia, histeria, é o demônio atentando, é o fim dos tempos, é castigo de Deus e outras explicações mais, a respeito daquilo que na verdade não sabemos explicar.
As pessoas comuns geralmente levam o assunto para o plano espiritual ou descambam para a total incredibilidade. Geralmente, dizem os incrédulos: “Cadê que eu não estou vendo?”.
O crédulo em espiritualidade costuma a atribuir a coisas divinas, mas que não se pode tocar. Caso se arrisque a tal, poderá ser castigado para sempre, sem perdão. Estes possivelmente são condenados ao medo de pensar no novo.
Os estudiosos de parapsicologia às vezes se deparam com situações que eles não conseguem explicar se baseando naquilo que eles estudaram e experimentaram e algumas vezes eles arriscam a interpretar, baseado em suas próprias experiências e convicções. Mas o universo ainda é muito desconhecido para nós e para a nossa capacidade de lógica e raciocínio.
Muitas vezes somos mais egoístas do que capazes de possuir sensibilidade para perceber o desconhecido. O mais comum nas pessoas ou qualquer animal neste planeta em que vivemos, é fugir de algo que é desconhecido. Um simples mosquito ao se sentir em perigo voa em disparada para proteger a sua vida.
Na verdade, nós, agora, só temos uma chance de viver esta vida. (Pelo menos é o que conhecemos de concreto.). Se a gente facilitar e perdê-la, não é possível reverter. Pois aí já inclui o tempo. Já viramos passado. Qualquer observação ao contrário é duvidosa e ninguém consegue prová-la.
Existem coisas que deixam a gente incapaz de raciocinar com a lógica que possuímos. E tudo fica sendo uma história boba ou a gente nem comenta com os outros para não se tornar ridículo. Quem se arriscaria a contar que viu um ser do outro mundo? Seria taxado logo de maluco ou mentiroso. Mas... e se for verdade? Não estaremos perdendo tempo com conclusões conservadoras?
Costuma-se a perguntar as pessoas: “Você é contra ou a favor de ...?”. Ora, como é que eu vou opinar, muitas vezes, uma coisa muito complexa, com um simples “eu acho”? Isso só funciona mesmo nos bares da vida e após a longa discussão etílica, tudo se torna volátil mesmo e acaba após a conta e a ressaca do dia seguinte.
Há pessoas que nunca vão entender certas coisas, porque simplesmente acham que o seu paradigma é dono de todas as verdades do universo. Fora disso o resto é estupidez. Daí dizem que milagres não passam de fatos que simplesmente as pessoas que estavam ali no momento eram ignorantes e foram iludidas com o espetáculo. Eu até acho que depois deles dizerem isso, vão pra casa na dúvida. Mas ficam calados para que ninguém desconfie de que eles também estão na dúvida.
Quem gostaria de ir para o paraíso, céu ou qualquer lugar de felicidade eterna após a morte? Com certeza, todos! Porém que gostaria de ir agora?
Definir aquilo que a gente ainda não conhece é inútil. Podemos estar caminhando no sentido contrário. Porém ser mais aberto ao novo, é salutar e corajoso. Senão estaremos andando em círculo toda a vida. Quantos tabus e preconceitos de hoje serão assuntos e coisas tratados amanhã naturalmente? Antigamente o planeta Terra era o centro do universo e ai daquele que dissesse o contrário! Seria incinerado em praça pública com a alegação de que estava possuído pelo demônio. O ser humano cometia as atrocidades e depois culpava ao demônio. Galileu Galilei, quase entra nessa fria (Que fria!). Pobre das bruxas. A elas tudo era dado a culpa. Pois nesta época, mulheres não podiam ler nem escrever. A igreja não somente tinha nas rédeas o controle da espiritualidade como da cultura. Quaisquer coisas que interferissem, eram consideradas coisas do demônio, conseqüentemente deveria ser queimada em nome da santa cultura medieval.
Hoje não mudou muita coisa em relação aos tabus de preconceitos. Continua a mesma consciência de que tudo deve ficar como estar. Quando se fala em biogenética é só um assunto para deleite de cientistas ou mesa de bar contando com a grande distância intelectual. Mas quando chegam a prática, os dirigentes, os chefes religiosos se assombram com medo talvez de perderem as rédeas e a verdade pertencer a todos os seres inteligentes. Pois estes líderes de cristal têm medo de se partir.




I
A MINHA HISTÓRIA

Era, certa vez, ao entardecer, ou talvez fosse mais ou menos umas sete e meia da noite. Não consigo lembrar exatamente o momento. Por ter sido um dia de pouca atividade noturna, o edifício que fica junto ao fim do quintal da casa estava quase todo apagado.
  Ouviam-se poucos sons a não ser dos televisores ligados. As casas estavam com os seus moradores entretidos com as novelas e outros programas. Hábito corriqueiro do dia-a-dia das pessoas neste planeta. Afinal não se tem muito para fazer aqui quando não se quer. Cada um tem pena de si e não liga para os outros, salvo algum interesse próprio.
Olhei para cima e vi uma luz no céu. Parecia uma estrela cadente que se deslocava no sentido oeste-leste. Ou seja, do continente a praia.
Eu estava no quintal da minha casa, um quintal onde tem uma mangueira lá no fim, e algumas outras árvores como um pé de cupuaçu, planta que é nativa da Amazônia. Árvore de folhas densas e bem verdes. As outras nem dava pra gente se esconder. São arbustos, pés de pimenta e algumas plantinhas bem pequenas.
Estava eu no centro do quintal onde normalmente sempre dou uma olhada para o céu. Pois bem, foi um desses dias, em que dei uma espiada lá pra cima e vi algo que me parecia estranho ao que sempre costumava a ver.
Era uma luz diferente. Era uma luz que se deslocava em uma velocidade, não comum para um avião, ou algum objeto conhecido, mas também não era tão rápido quanto um meteoro.
Essa luz foi vindo em minha direção, exatamente no sentido em que eu estava. E cada vez mais ela se aproximava do solo. Foi tomando forma, e crescendo de volume com a sua aproximação. Olhei com mais atenção e percebi que havia uma coisa de um tamanho de um automóvel, mas transparente. Foi quando eu comecei a ver os detalhes, percebi; era um objeto que dava a impressão de ser transparente, mas sem se ver algo por dentro. Era como se fosse espelhado, mas sem refletir muito a luz. Uma transparência tênue. Este objeto foi lentamente se aproximando, até que ficou sobre o quintal.
Eu fui gradativamente sentindo medo. Foi esquentando as minhas orelhas. Fiquei até pensando se ainda estava vivo, acordado, sei lá o que. Me dava a impressão, de que o objeto descia, mas ao mesmo tempo, reduzia a sua velocidade. Foi quando eu percebi exatamente, que ele vinha em minha direção. Tinha uma forma oval, pelo menos é o que parecia visto de baixo. Eu fiquei assustado, sem saber na verdade de que se tratava. Cada vez que o objeto se aproximava, a sua luz diminuía, e ele ficava mais transparente.
Me faz lembrar, quando eu era adolescente em que certa vez eu fui capturar um tipo de borboleta, que só aparecia ao entardecer, e que suas asas eram transparentes, mal dava para vê-las entre as folhagens. Assim era este objeto. A noite vai chegando e a nossa visão fica com uma certa deficiência. Eu não entendia exatamente o que estava vendo. O objeto que mais parecia um pingo d’água, foi se aproximando, até que parou uns três metros do chão, no quintal, e ficou transparente, como uma bolha de sabão.
Nesse momento eu fiquei congelado.
Pensei, agora serei abduzido e nunca mais voltarei. Tentei correr, mas a curiosidade era maior. No momento não sabia se tinha medo ou curiosidade. Era um mistura de tudo isso, e uma sensação de ter encontrado, o azimute entre o consciente e o inconsciente. Eu estava diante da maior sensação da minha vida.
De repente, naquele objeto, foi se formando uma porta na parte da frente. O objeto em si tinha uma forma bem arredondada, esférica, e na parte de trás de forma afunilada. Era um formato de um pingo d’água em queda.
Abriu-se uma porta, e eu pude perceber que havia alguém lá dentro. Não dessas formas que se costuma a relatar por aí. Os famosos ET’s de ficção científica. Mas uma forma humana, de estatura média. Pele esbranquiçada, não feito a gente, diferente, olhos claros, talvez azul ou verde.
Este indivíduo tinha uma expressão aparentemente tranqüila, mas ao mesmo tempo, com um certo receio. Olhava atentamente pra mim. Talvez por eu não ser o tipo de indivíduo, que aparentasse alguma beleza, para o seu padrão. Na verdade, eu não sou tão bonito assim. Eu estava de óculos de grau, sem camisa, de calça jeans e sandália de borracha. O indivíduo deste aparelho estava vestido com um traje de cor clara, entre cinza-claro e azul matriz e bem adequado ao seu corpo esguio. Os sapatos, eram também da mesma cor da vestimenta. Quem sabe, se no momento em que ele me viu, não foi como, quando a gente vê um gorila?
Mas brincadeira pra lá, ficamos uns cinco minutos um olhando para o outro, sem haver alguma comunicação. Eu estava abestalhado com a situação, e não entendia o que estava acontecendo, eu sentia a minha pele se arrepiar. Um aparelho no ar há uns três metros de altura, com um ser que eu nunca tinha visto, talvez um metro e sessenta, e eu cá embaixo sendo visto por alguém, que talvez fosse a primeira vez que via um ser humano de tão perto. Essa era a minha primeira impressão.
Depois de algum tempo, eu percebi que este ser, estava querendo alguma comunicação comigo. Fiquei, pois, mais alguns minutos indecisos. Talvez eu estivesse mais com medo do que curiosidade. Finalmente eu senti que este indivíduo estranho começava a se comunicar comigo, de uma forma curiosa. Ele sutilmente gesticulava, balbuciava, mas eu entendia o que ele estava querendo dizer: Primeiro ele disse que se chamava Rônam, um nome que eu nunca tinha ouvido e que vinha de um lugar muito distante. Não dava para entender se era planeta ou coisa parecida. E que fazia parte de uma equipe, que pesquisava o universo a procura de vidas e inteligência galáctica e que também dispunha de uma tecnologia capaz de permitir esta façanha. Já fazia isso há muito tempo e estava encarregado de pesquisar os povos deste planeta. Eu não perdi tempo, e quando fui fazer uma pergunta, ele já havia entendido o que eu queria perguntar. Suponho que foi por uma questão de lógica não de adivinhação. Me lembrei logo que aqui existe tanta tecnologia, mas as pessoas continuam egoístas.
Perguntei: “A sua tecnologia é avançada, e vocês?” Foi quando ele fez um ar de tranqüilidade, dono de si e disse mais ou menos assim:
“A nossa evolução já é integral. De dentro pra fora. É uma integração entre o intelecto e o executável. Nós temos a tranqüilidade de agir sem a necessidade do medo. Sempre estamos cientes de qual será a reação do outro. Nós agimos com a certeza de que o outro está integrado conosco. Não precisamos duvidar.”
A partir daí, eu fui ficando tranqüilo, mas ainda meio incerto com o que estava presenciando, e me parecia que não estava diante de um predador, esperando para me abduzir, e depois me fazer de cobaia como em tantos relatos desse tipo, que existem por aí.
O seu aparelho, ou o seu meio de transporte parecia que boiava no ar, como uma bolha de sabão. Era uma imagem discreta, que não chamava a atenção da vizinhança. Pois se isso acontecesse, meu Deus, a minha casa seria destruída por curiosos, repórteres, e até autoridades, sei lá! Eu em pouco tempo desapareceria. Sei lá...não gosto nem de pensar.
Rônam perguntou... eu acho, que só por perguntar, qual era o meu nome. Eu disse Pablo. Ele fez um ar de riso, e me convidou para entrar em sua nave.
Eu fiquei pensando se valeria a pena. Afinal não estamos preparados para o desconhecido. Não somos pessoas de muita fé. E eu estava com o maior medo da vida e o pior; tentando mostrar que estava tranqüilo diante de um ser que percebia tudo. Era uma experiência incrível. Eu me sentia como se tivesse dopado de tanta emoção. Não tem explicação que possa revelar o que eu sentia. Ele poderia me levar para o seu habitat, como quem captura um papagaio, que se leva pra casa, e deixa sozinho falando besteira para o dono uma vez ou outra. Qual a certeza que eu tinha, de que ele estaria falando a verdade? Afinal não é assim que a gente faz aqui, neste planeta!? A gente confia desconfiando das pessoas, e muito mais dos estranhos. E que estranho!!!
Eu ainda conversei, como se diz, puxando conversa para ver até aonde ele ia com o seu convite. Foi aí que ele percebeu a minha relutância, e disse que eu não deveria me importar com essa hipótese, pois ele se quisesse, tranqüilamente me abduziria, sem que pudesse fazer a menor reação. Portanto estava ali, para me mostrar algo que eu nunca tinha visto, e queria que eu levasse essa experiência comigo para o futuro.
O tempo passava, e já eram mais ou menos umas oito horas da noite, talvez. Eu não sabia mais sobre o tempo. Estava meio desorientado pela emoção. O quintal estava escuro, não dava pra ver direito. E a nave estava cada vez menos visível. A menos que a gente prestasse muito a atenção, é que notava que havia algo ali, menos a porta, que estava aberta e dava pra ver o Rônam, e a imagem da porta, como se fosse só em duas dimensões. Uma figura impressa num papel. Não se notava a profundidade. Era talvez uma proteção, para que ninguém fora eu, percebesse a presença do visitante. Era como uma tela de monitor de cristal líquido.
Finalmente, eu aceitei, e disse que aguardasse um momento para que vestisse uma camisa.

O COMEÇO DA VIAGEM

As pessoas, em casa, estavam lá fora na calçada, e nem perceberam o que estava acontecendo no quintal. Eu entrei e fui para o quarto meio trêmulo de emoção. Nunca havia sentido isto. Eu não sabia se estava tomando uma atitude certa.
Calcei um sapato tipo boot preto, vesti uma camisa de mangas compridas azul-claro, e me dirigi para o quintal.
Aconteceu uma coisa muito interessante. Rônam entrou na nave que não dava mais para vê-lo. De repente desceu uma luz, parecia uma escada, bem tênuee, em minha direção e eu não sentia mais o efeito da força gravitacional da Terra. Era como se de repente, eu perdesse todo o meu peso.
Em seguida, eu senti que meu corpo subia em direção a porta da nave, e não sentia aquele efeito de elevador, que empurra a gente para baixo. Era uma levitação perfeita. Até que eu cheguei à porta e entrei.
O mais incrível, é que quando eu entrei, e a porta se fechou, eu estava em uma sala, bastante iluminada, onde havia mais duas pessoas sentadas e duas poltronas vazias, sendo uma principal. Mais lá dentro havia duas pessoas que eram duas mulheres, digamos. Fisicamente parecidas com as mulheres daqui do nosso planeta. Vestidas com o mesmo traje. Era como se fosse uma roupa de trabalho. Eu não percebia nenhuma transparência, como se via pelo lado de fora. Imagine entrar eu uma tela de um monitor de quartzo líquido. É meio incompreensível, mas foi assim mesmo. É como entrar num espelho. Era uma sala com cadeiras fixas no chão da nave, uma delas no centro, um painel iluminado, e uma tela, como tela de computador, de uma altíssima definição, mostrando o chão do quintal, e uma parte do telhado. Isso era na frente do veículo. Como um pára-brisa de carro. O painel era mais sofisticado do que o de um avião. Cheio de controles. Nunca tinha visto tantos mostradores sofisticados na minha vida. A visão lá fora era como se fosse uma câmara de filmar e dentro a imagem de um telão.
Não dava para entender, como é que a nave vista de fora, fosse relativamente pequena, e o ambiente interno tão grande. Havia também umas janelas, que na verdade, eram telas que davam para ver ao lado. Mas dava para entender que não eram janelas de vidro, e sim um sistema de uma câmara que captava a imagem e transmitia para aquela tela com imagem em tempo real e tamanho natural.
De repente a tela maior apagou e segundos após quando voltou a imagem, eu via o planeta Terra, como em fotografias tiradas das naves Apolo. Não deu para entender como isso aconteceu tão rapidamente.
Na verdade, já havíamos deslocado essa distância toda sem que eu percebesse a velocidade. O interessante dessa experiência, é que a gente não sente o deslocamento. Não sente absolutamente nada. É muita velocidade mesmo. É incompreensivo para os nossos pobres neurônios. Dá até uma sensação de que estamos sonhando. Ou será que eu estava mesmo? A sensação de estabilidade é como se estivéssemos parados no chão.
Parada a nave, supunha eu, Rônam começou a fazer comentários sobre a mãe Terra. Foi assim que ele se referiu. Os outros tripulantes também prestavam a atenção ao que ele dizia. Ele conversando, mas na verdade quase sem abrir a boca, fez vários comentários e eu lembro que ele disse que este planeta estava em uma grande evolução, só que não vinha acontecendo uniformemente como deveria ser. Existem muitos medos dentro das pessoas, e que fazem elas se tornarem agressivas umas com as outras somente por medo mesmo. Uma das coisas que ele destacou foi que a evolução só se processaria de forma correta, se o ser humano soubesse trabalhar o tempo, e compreendê-lo tanto o passado, como o futuro. Essa incerteza é que provoca essa confusão. Mas a grande dificuldade é que as pessoas não conseguem um paradigma comum a todos e sim cada um quer ter o seu.
Os indivíduos deste planeta ainda estão em evolução genética. É como se faltassem ainda alguns ajustes. Mesmo que eles quisessem, mesmo assim não conseguiriam modificar certos ajustes por falta de compreensão do seu intelecto ainda imaturo para certas compreensões. Imagine tentar se comunicar com uma pessoa que não possui o seu nível de intelectualidade. Ele olha pra você faz que lhe entende, mas na verdade a sua informação é simplesmente superficial para ele. Na verdade ele não sabe o que você está falando.
Depois de muita conversa, e coisa até que eu na verdade não entendia, pois ele falava muito e demonstrava uma preocupação com o planeta como se estivesse aos seus cuidados.
Ele me falou também sobre as explosões de Hirochima e Nagazaki, quando aconteceu, e como se fosse uma coisa inesperada, que vários óvnis foram até o local para ver na verdade o que estava acontecendo. É como se fosse uma coisa que eles não esperavam que acontecesse tão de repente.
Fez comentários sobre a guerra que houve no Oriente, entre o Iraque e o Kuwait. Ele disse que se eles não ajudarem as pessoas daqui da Terra, correremos o risco de uma destruição violenta do planeta. Enfim falou de tanta coisa, que eu nem lembro direito. Basicamente mencionou fatos, que poderiam prejudicar a nossa civilização. Em se tratando de violência declarada ou mesmo sutil. Como a destruição dos mananciais, das florestas e a própria poluição do ar. Esta última ele enfatizou como uma coisa gravíssima.
Tinha umas coisas, que fica até difícil explicar, pois é preciso que as pessoas entendam, que nós não somos apenas o que percebemos. Somos muito mais. O difícil é entender. Me parece até que fomos alterados geneticamente por estes seres alienígenas. Como os nossos cientistas conseguem fazer alterações nas plantas, por exemplo.

CIRCUNDANDO A TERRA

Depois de uma longa conversa, voltamos a nos aproximar do planeta Terra e começamos a viajar em volta dela várias vezes. Eu já havia perdido a noção do tempo. Não sabia nem hora, nem dia de tanto ver dia e noite se passando rapidamente. Tanto no sentido oriente como ocidente. Tudo dependia da direção que a nave tomava. Eu comecei a perguntar sobre os controles da nave. No meio de tantas luzes, inclusive luzes que se projetam num painel como se ela estivesse no ar. Ela não brilha quando encontra um anteparo ou parede ou qualquer coisa parecida. Ela acende como se diz, no meio do caminho. É terceira dimensão mesmo. Não é difícil compreender o painel, porque ele não é com números ou letras ou qualquer código. É com sinais lógicos que dá para entender perfeitamente. Basicamente é com as três dimensões. Para quem entende de matemática, sabe o que são as linhas “x”, “y” e “z”. É o que sobe e desce, anda de lado e pra frente e pra traz. É claro que tem umas informações que só o técnico entende, mas o leigo olhando já dá para entender muita coisa. Tudo em terceira dimensão. Dá pra imaginar a nave vista de fora como se a gente estivesse de lado vendo ela voando.
Com a aproximação da nave ao chão, eu pude ver a cidade do Recife como uma fotografia aérea. Pois eu vi através da tela, que fica no centro da sala principal. Tudo se passava como se fosse um filme. Depois o veículo ia navegando em direção ao mar. A praia parecia uma faixa branca, e o mar ia ficando mais escuro na proporção em que ia mais para o centro. Cada vez mais, a nave ia descendo, até que ficou bem próximo da superfície do oceano. Dava a impressão que a gente ia navegando, num barco, sem que tocasse na água do mar. Não se via mais nada a não ser as ondas e um mar azul marinho. Me deu até certo medo, como se estivesse num barco. Com isso pude ter a idéia da imensidão do oceano, e ao mesmo tempo, aquilo tudo estava contido em um planeta, que minutos antes, era apenas uma bola lá no céu.
Começamos a viajar em uma velocidade espetacular. Talvez mais de 5 mil quilômetros por hora, ou coisa parecida. Próximo à nave não dava para ver nada. A nave começou a subir, para que pudéssemos ver melhor na tela, pois com a velocidade que estava eu não conseguia ver nada, a não ser a cor azul do mar e o céu.
Íamos em direção à África; eu digo isso, pela forma como íamos voando. Se a gente sai do nordeste do Brasil, em direção ao ocidente, só pode ir para o oeste da África. Foi o que eu pensei.
A viagem parecia um filme sendo visto pela tela. Pois a gente não sente o deslocamento. Parece que estamos parados. Dava pra ver de vez em quando um navio se deslocando em um oceano imenso. Quando mais tarde começou a aparecer às praias do continente africano. Devia ser Marrocos. Pois eu não conheço nada dali. Era uma praia. Uma praia comum como as que eu conheço, mas ao contrário. Pois as praias aqui eram viradas para o sol nascente e estas que eu estava vendo, olhava para o por do sol. Eu não sabia mais que dia era, nem queria perguntar, para não me parecer um bobo. Rônam, sentado na poltrona principal, conduzia calmamente a sua nave, e eu ficava abestalhado, com o que via. Outro detalhe é que quem manobrava os controles eram os dois que ficavam de lado. O Rônam só fazia dizer alguma coisa como, para onde ele queria ir, por exemplo.
Eu sentia a impressão, que estava, ora acordado, ora sonhando. Eu não sabia o que estava se passando, pois, eu estava, diante de uma pessoa diferente, e que eu nunca tinha visto, dentro de um veículo que nunca tinha visto e me sentindo um estranho ali dentro. As duas outras ocupantes me olhavam o tempo todo como se estivesse me examinando.
Viajamos bastante, por lugares que nunca imaginava que existia, aqui na Terra. O planeta é muito bonito. E o mais interessante: não estávamos sendo notados por ninguém. Pelo menos é o que eu pensava. De vez em quando as pessoas dizem que vêem um disco voador.

QUEM SOMOS NÓS

Durante a viagem, eu perguntei a Rônam, o que ele entendia por religião. Ele ficou me olhando e eu achei que ele não queria responder. Mas em seguida ele perguntou o que eu queria saber. Eu disse que não tinha religião definida. Tinha as minhas dúvidas. Ele comentou que é uma coisa muito de necessidade, e que as pessoas explicam as coisas que não entendem, com rituais e dogmas. Ficaria difícil explicar a alguém, a relação entre os grandes líderes carismáticos, e as pessoas de superinteligências emocionais, que vieram aqui para este planeta, com a criação das religiões. É tão complexo, como explicar as pessoas que têm pouca informação cultural, como funcionam as micro partículas da matéria. Ele continuou dizendo: A evolução tecnológica aqui neste planeta, já evoluiu bastante, em relação a capacidade de aprendizagem de vocês, mas ainda é muito pequena a capacidade que vocês têm de aprender. O que falta, é a evolução começar de dentro do que vocês chamam de alma. Desde quando esta humanidade começou a pensar e a aparecer pessoas com bastante inteligência, mas com uns interesses não coletivos é que começaram a aparecer as religiões que utilizam as outras pessoas (os fiéis) para que eles possam realizar seus eventos, sem as quais seriam impossíveis. Como construções de prédios ostensivos para impressionar os menos privilegiados da inteligência. Inclusive essas inteligências privilegiadas não só agem para o bem como para o mal e também para o seu próprio benefício. Para a felicidade dos que vivem aqui, de vez em quando chegam para passar uma vida aqui neste planeta, serem de alto valor espiritual para dá um equilíbrio. Mas logo em seguida com a ida deles recomeçam a se aproveitar dos seus ensinamentos para benefício próprio. Isto é uma característica dos seres daqui que ainda estão em evolução espiritual. Faltam-lhes discernimento e amor ao próximo. Tudo isso por causa do medo do desconhecido. Do apego as coisas materiais daqui deste planeta. Tudo aqui deve ser usado, mas em parceria. O fato de querer só pra si é o medo de perder. Ninguém pode perder o que não é seu. Tudo que se tem aqui neste planeta pertence a todos que estiverem momentaneamente morando aqui. Nada aqui pode ser declarado meu, a não ser o próprio eu do indivíduo.
Parecia que eu estava tendo uma aula. Mas como eu sou humano, e tenho as minhas emoções peculiares, eu comecei a me preocupar com o momento, e as pessoas que poderiam sentir a minha falta. Como eu iria justificar onde eu estava? Será que já haviam notado a minha ausência? E depois como seria a minha vida? As forças armadas, os jornalistas, os homens de preto e outros mais?
Aí, eu falei para Rônam, é claro, do que ele já estava percebendo. Chega a ficar estranho uma pessoa já saber do que você está sentindo. Eu disse: “Estou preocupado com o pessoal de lá de onde eu moro." Ele disse calmamente. Não se preocupe que isto já foi resolvido, desde que você saiu de lá. Os nossos equipamentos funcionam com um sistema, que trabalha com elementos semelhantes aos dos seus cérebros. Antes de sairmos de lá, foi induzido nos cérebros de várias pessoas, uma programação, para que todos esquecessem o momento da sua ausência. É como se fosse retirado de uma seqüência do tempo, uma faixa de algumas horas. É como se um dia seu, de vinte e quatro horas, fosse tirado uma parte da tarde, entre as duas e as quatro horas e ninguém percebesse. É como uma anestesia geral. Depois eu entendi que aquela história era figurativa, pois a explicação correta é mais profunda. Tem a ver com uma dimensão chamada de tempo, que é alterada e segundos que se passam aqui, pode ser uma eternidade lá fora.

A CIDADE CINZENTA

De repente, sem que nenhum de nós tivesse falado alguma coisa, Rônam resolveu parar e descer em uma cidade aparentemente conhecida.  Era uma cidade que dava a impressão de que tivesse sido visitada, algum dia, por mim. Paramos bem no centro de uma rua. Era uma cidade meio acinzentada, como são as cidades dos lugares mais frios. A sua aparência era de um anoitecer. A nave parou da mesma forma que parou lá em casa. As pessoas conversavam umas com as outras, mas, as pessoas que iam passando, não se incomodavam com a aparência da nave, ou talvez nem tivessem vendo. Descemos, eu, Rônam, mais um casal, e fomos até em frente a uma igreja, enorme, alta, com a cor cinza de suas paredes. Era muito alta. Tinha duas torres enormes, e pontiagudas. Com uma porta também muito grande, como principal e duas laterais, do mesmo formato, mas um pouco menor. Entramos e fomos caminhando até o fundo da igreja. Por ser a sua nave muito alta fazia a gente ter a impressão de que éramos pequenos, mesmos. Havia uma imagem de um anjo, de aproximadamente, uns cinco metros de altura. Ficava no lado direito do altar principal. Tinha a aparência de cristal. Era o tipo de um anjo, como costumamos ver, baseado na versão da igreja católica. Provavelmente essa igreja fosse católica. As asas muito grandes presas nas costas de um homem de cabelos longos, vestido em um traje característico, do povo do oriente. E o mais incrível, é que não tocava no chão. Era suspenso no ar. Havia uma sensação de mistério. Havia algumas pessoas sentadas nos bancos, e o ar era frio e levemente enfumaçado. Dava a impressão de algo ligado ao plano espiritual. A luz entrava pelas frestas nas paredes formando umas linhas diagonais enfumaçadas e se projetando no chão. Era como se fosse luz de um palco de teatro.
Rônam se dirigiu a uma porta lateral da igreja e foi conversar com uma pessoa. Entregou-lhe um objeto. Após alguns minutos de conversa, já dava para notar que ele conhecia o seu interlocutor, voltou e me disse para irmos embora. Fomos caminhando no centro da igreja até a saída. Na porta, eu fiquei observando o ambiente. As pessoas passavam normalmente como em uma cidade qualquer, mas eu não entendia onde era aquele lugar e fiquei até na dúvida se era mesmo no planeta terra.
Resolvemos andar um pouco para que eu pudesse ver a cidade. Havia rua, calçadas com um tipo de pavimentação como o nosso que conhecemos. São placas, umas junto das outras. As ruas eram de largura normal como qualquer cidade. Havia veículos parecidos com carros. Poucos, não se ouvia barulho de motores. Era uma cidade silenciosa. As pessoas nas calçadas como em uma cidade qualquer, andavam moderadamente sem pressa, indo e vindo. Raramente se via alguma árvore. Não sei porque, talvez pelo tipo de temperatura ou mesmo porque naquela hora havia pouca luz, não dava para ver direito qualquer coisa muito distante. As casas eram como se fossem casas antigas, aquelas vista em fotos nos anos de 1920 ou 30. As roupas das pessoas eram de todo o tipo menos roupas curtas ou muito decotadas. Havia homens e mulheres, todos com roupas escuras, mas bem vestidos.
Não sei se foi por falta de curiosidade, mas não vi nada que se assemelhasse a casa comercial. Só vi casas do tipo residencial. Afinal aquela cidade não era uma cidade comum.
Quando me virei para Rônam, ele já estava esperando a minha pergunta, e disse: Você está preocupado onde estamos? Isto aqui é uma cidade que fica na Europa Oriental, ela não tem nome, usa-se um código entre os habitantes, e é onde as pessoas que possuem um alto grau de sensibilidade, vêm para cá. Este lugar tem muita energia do plano superior. Pouca gente sabe da sua existência. Como você vê, não precisa ser uma cidade que chame a atenção das pessoas. Somente as pessoas que conseguem compreender o que está acontecendo aqui, é que entendem. Aqui se reúnem pessoas de um alto grau de espiritualidade. Você é uma dessas pessoas que está apta para desenvolver esta característica. Quando voltarmos para a sua cidade, você vai vir aqui só com a sua parte energética. Não vai precisar vir com o seu corpo. Aqui as pessoas não precisam de matéria, pois estão aqui para uma aprendizagem espiritual, portanto não precisam de bagagem. Somente a sua energia, a que forma o seu ser. O curioso do planeta Terra, é que muita gente com bastante cultura para vivenciar estas coisas, não acreditam nesta possibilidade. Lembre-se que tudo o que você vê é reflexo da luz. A matéria pode está lá de onde vem a luz ou ser pura sensação da sua percepção. Aqui não há necessidade de matéria como em outros lugares da Terra. Aqui as pessoas não necessitam de alimento de tipo algum como em outros lugares onde se usa a matéria. O corpo físico é como uma máquina, precisa constantemente de consumir alimentos para fazer a sua própria energia. Quando se está somente com a parte espiritual, o consumo de energia é bastante diferente. Não precisamos de nenhuma matéria para transformar em energia. Recebemos já prontas para as nossas necessidades sem que precisemos armazenar. Quando a energia é extraída de outra matéria, precisamos excretar. Em estado de espírito, não há necessidade. Simplesmente transformamos a energia em outro tipo de energia imediatamente reutilizável. E essa forma nos faz infinito dentro dos valores que você conhece.

CHEGAMOS DE VOLTA

Depois disso, voltamos para a nave, que estava ali estacionada. Entramos e fomos para a cidade do Recife. Quando chegamos, parecia que era ainda de manhã, bem cedinho. Rônam disse uma coisa interessante: Você vai entrar em sua casa, vai para o seu quarto e na hora que for se deitar, faça bem devagar, e dê a impressão de que está entrando em seu corpo, como se estivesse vestindo um escafandro de mergulho ou uma roupa de astronauta, e depois vá se alongando e relaxe. Isso vai dá a impressão, de que você chegou em espírito, e entrou na matéria, como as pessoas de sua casa acreditam, fica mais fácil, para elas entenderem. Segundo ele a casa que eu moro tem muitos seres somente em estado espiritual e as pessoas de casa já estão acostumadas a vê-los. Logo não estranharão com o que poderiam vivenciar. Eu aproveitei o momento e fiz mais uma pergunta: - Quem são estes seres? Ele respondeu: - São pessoas que viveram neste local em matéria e estão fazendo uma atividade semelhante a você, só que é para adquirir um outro estado espiritual. Isso vai demorar bastante. Por isso eles moram no mesmo local de origem para não perder a referência.
Então, assim eu fiz e que quando o dia amanheceu, eu ouvi os comentários exatamente como Rônam havia descrito. “Você estava viajando por aí! Eu vi quando você chegou e entrou no seu corpo!”
Depois disso Rônam  disse que ira partir para outra operação e que eu aguardasse a sua volta. Os outros tripulantes me cumprimentaram e deu um sinal de até a volta. Uma das mulheres da nave me deu um objeto parecido com um lápis transparente e disse que eu esfregasse entre as mãos até desaparecer que eu sempre estaria em contato com eles. Assim fiz e foi como se o objeto fosse de gelo sem ser frio, foi desaparecendo lentamente até sumir. Já tive um sonho em que viajava sem meu corpo. Eu sentia, via as coisas, menos o meu corpo. E no dia seguinte eu voltei, como na vez anterior. Vestindo o meu corpo. Essa comunicação é feita sempre com a presença dessa tripulante da nave de Rônam.


Um objeto que Rônam usa com freqüência eu dei uma voltinha.

Quando estive na nave de Ronam eu tive a oportunidade de ver um equipamento muito interessante que me causou logo curiosidade. Encaixado na parede da nave, estava um aparelho mais parecido com um escafandro, tipo aqueles que se usam normalmente para pesquisas submarinas. Só que tem um capacete parecido com o de motociclistas de corrida. Bastante equipado e da cor do azul do céu sendo cintilante.
Me dirigi a Ronam e perguntei de que se tratava aquilo. Ele desprendeu da parede e disse: “você vai gostar bastante.” Era uma peça em que a gente veste uma parte e a outra encaixa no vestuário. Assim; tem uma parte que é presa no ombro, passando por baixo dos braços, nas axilas. É bem ajustado de modo que fica colado ao peito. Desce uma espécie de tira de um material que pode ser metal ou um plástico muito rígido que segue toda a coluna cervical. Nas nádegas, essa peça se bifurca formando duas conchas que se adequa a cada lado das nádegas e passando entre as pernas sem causar algum desconforto. Existe um ajustamento automático nas costas. Desce um fio do peito até a virilha onde se encontram as extremidades da peça que veio por trás.
Pronto, está vestido.
O material de que é feito não dá para saber. É como se fosse um plástico muito rígido, cinza escuro. Atrás da peça que passa pela coluna cervical, na altura dos ombros, tem uns encaixes. Estes encaixes são para colocar uma peça que é um propulsor estabilizador em forma de um cilindro com uma extremidade esférica e a outra cônica. Novamente esférica na ponta do cone. A aparência é como se fosse um cilindro de mergulho, só que o tamanho é reduzido. Ele é tão bem adaptado que não se sente à sensação de puxão quando se é deslocado do chão e se é virado em qualquer direção em relação ao chão.
Dá para perceber um leve zumbido quando ele está fazendo algum movimento brusco. Verdadeiramente não tenho certeza se este zumbido é do aparelho ou da própria evolução do movimento. Possui muita força e uma capacidade de mudança de direção incrível.
Não é difícil de manuseá-lo. Se aprende rápido. Sai da parte superior da vestimenta um cabinho que vai até o pulso e é preso por uma alça. Daí ele projeta virtualmente uma espécie de comando que com os dedos se comanda o veículo. É como umas teclas de luz.
Agora o mais fantástico é o capacete. Quando a gente coloca, primeiro tem uma regulagem com o tamanho da cabeça. Pois é muito importante. Ele não é ligado a nada. E na parte de cima, onde a visão alcança, é como se estivesse um painel incrível a mais ou menos um metro de distância, num raio de cento e trinta graus no sentido horizontal. A sensação é parecida com a cabine de um avião.
Não tem números ou qualquer sinal escrito. É somente mostradores com desenhos estatísticos, super fácil de ler. Por exemplo: se você sobe, aparece um desenho gráfico da altura em que você está, em uma escala com cores diferentes, mostrando o nível de segurança como a rarefação do ar.
Se você pretende fazer uma curva brusca, um outro desenho gráfico mostra o desconforto de tal mudança. Ele quase que adivinha o que você está pretendendo fazer.
Agora são muitos mostradores para cada tipo de ação. Tudo isso numa tele só. A cada movimente ou comando atual ele se desloca no centro do painel virtual. É uma alternância de mostradores.
Até aquele que controla um tipo de pulo que você dá como se a gravidade daqui fosse a da Lua, por exemplo. É uma espécie de moto-estrada sem roda. Você voa, pula, vai pra frente ou pra trás, ou de lado. Tudo depende da sua habilidade na proporção em que você vai se adaptando. Existe até um movimento pondo as mãos perpendicular ao antebraço que desativa os comandos, para que você faça outra operação, como pegar alguma coisa. Se fizer novamente o mesmo movimento no sentido inverso, você reativa o painel virtual.
Assim Ronam me explicou como tudo funciona e fomos para um local bastante deserto e eu vesti aquele aparelho. A princípio fiquei meio desajeitado com o equipamento, mas depois me adaptei e logo fiquei dando piruetas e cambalhotas no ar. É fácil e qualquer um que sabe andar de moto se adapta logo, logo.
Eu perguntei para que serve um aparelho deste, já que a nave faz tudo. Ele respondeu que funciona como um salva vidas na hora de uma pane ou mesmo para explorar regiões de florestas ou desérticas.
Quando se está andando com este aparelho, você pode ligar um sistema que quem o vê de longe, só vê uma luz e mais nada. As luzes podem ser de qualquer cor. Elas servem para identificar o tipo de atividade que se está fazendo no momento.
São as famosas luzes que passam pelas estradas a toda velocidade, depois sobem com grande velocidade e desaparecem no céu. E quando elas são apagadas e não dá pra ver mais nada.
Fiquei encantado e Ronam com um ar de satisfação. Foi quando eu vi as mulheres rirem pela primeira vez. Ou pelo menos faziam um ar de riso.

O RETORNO DE RÔNAM

Há meses que eu não tinha mais visto a nave de Rônam. Tenho sempre um tipo de sonho em que eu saio voando por aí, mas sinto como se estivesse voando sem sentir o meu corpo físico. Depois dessa primeira experiência, tenho vivido muitas transformações na minha vida e atravessado muitos portais. Um deles me pareceu que eu iria me desfazer de meu corpo material e por fim ficar de vez do outro lado da vida.
Eu de repente sem nenhum motivo, comecei a adoecer. Já havia deixado uns hábitos prejudiciais à saúde material e espiritual há alguns anos. Não fumava cigarros de tabaco, nem bebia bebidas que continham álcool. Estava num processo de desintoxicação que já fazia uns dois anos. Foi quando o meu organismo começou a reagir talvez pela falta do hábito, mas sem capacidade para se regenerar. Comecei a sentir dores e a perder energia. Só me sentia bem quando viajava durante a noite por lugares parecidos com a cidade cinzenta. Até que um dia eu senti que não conseguia mais dominar o meu corpo físico. Eu estava sentindo que iria morrer. Cheguei até a lamentar por não poder continuar alguns eventos que estava em minha programação aqui na Terra e nessa dimensão.
Fui levado às pressas para um hospital em estado grave. Sofria de uma infecção no fígado, órgão responsável pela transformação de matéria em energia para o meu organismo. Estava tão intoxicado que durante uns quatro dias fiquei desligado do tempo. Não sabia onde estava nem conseguia distinguir dia e noite. O tempo para mim não existia. Fui submetido a um tratamento quase de choque com antibióticos. Na primeira dosagem eu tive uma vontade de vomitar terrível. E se seguiram 40 dias e 40 noites em um leito vendo de tudo que eu não imaginava que existisse de sofrimento num ser humano. Um local que eu denominaria de purgatório. Entre o bem e o mal. E uns seres enviados por outros seres superiores que lutavam a favor da volta da vida daqueles seres que ali estavam a sua mercê.
Quando a depressão nos fazia companhia, apareciam pessoas, como anjos, que conversavam com a gente dando força para que a gente se reabilitasse das cinzas como a ave fênix. Eu percebi tudo isso quando da admiração de um médico com a minha regeneração.
Foi quando eu comecei a entender realmente tudo que eu havia vivido durante o período em que convivi com Rônam e sua tripulação. A nossa percepção, acordado, é uma, pobre, sem muitas evidências. A percepção em transe do sono é outra completamente diferente. Ela é mais sofisticada e podemos fazer coisas e perceber coisas que nos deixa dúvidas de tão fantásticas.
Só depois de uma experiência em um hospital, é que podemos entender o que está se passando com a gente, quando estamos vivenciando o fantástico. Que no fim das contas é o real.
Seis meses depois, e com muito sofrimento, eu fui fazer uma cirurgia para a retirada da vesícula biliar para que pudesse sobreviver a esse tormento de tanto sofrimento, dor e expectativa de quão pouco eu iria viver aqui na Terra, apático sem poder fazer nada. Nem escrever, pois era cansativo e dolorido.
Após a anestesia e em casa, começaram a acontecer coisas que com a ajuda do efeito do anestésico, eu voltaria a ver coisas e a participar de visões fantásticas que nunca tinha participado. Eram visões as quais eu fazia parte do contexto.

No primeiro dia, eu sentia muita dor. Inclusive a viagem de carro do hospital até em casa foi muito sofrida com os solavancos na estrada. Eu estava recém operado e fraco. Cheguei em casa e fui direto para a cama. Não podia nem me levantar, coisa que tentei depois e não consegui. Estava tomando somente um remédio para dor. Mesmo assim eu fiz questão de tomar muito pouco. Eu não queria mais tomar remédios. Já havia tomado remédios demais. Finalmente as dores foram diminuindo e eu comecei a dormir. Foi quando anoiteceu e deu o início ao fantástico.

EU E O TEATRO

  







(1º ato)









Em minha volta é só luz.

Eu num palco só, sem platéia.

Eu sou o ator e a platéia.

A cortina fechada, a música toca.

Começo a dançar:

Contorço o meu corpo como um feto no ventre

Sem forma, mas com prazer.

As portas do teatro estão fechadas

Só o silêncio e a música.

Somente eles tocam em meu coração.

O meu dançar é triste, é patético.

Vestido em cetim branco, transparente começo a pular.

A gritar, a sorrir, a chorar.

Me dispo!

Meu corpo é abraçado pela música que toca.

Ela me aperta.

Eu corro para as cadeiras e bato palmas!

Eu grito vivas! Bis!

Subo pelos degraus do palco,

Me curvo diante das cadeiras

E me volto a dançar.





(2º ato)





Corro de um canto a outro do palco.

Uma luz estoura.

Aquele estampido seco se mistura com a música: 'ploc'!

Os cacos de vidro caem no chão e se estilhaçam ainda mais

O fim de alguma coisa, a lâmpada.

Mas eu continuo a dançar.

Os vidros cortam-me os pés.

Mas eu continuo a dançar.

Giro mais ainda,

Meus pés sangram como se fosse meu coração.

Estou feliz, mas triste.

Eu quero ver alguém na platéia.

Só uma pessoa pelo menos.

Eu só, no meu corpo sem as vestes de cetim.

Corro, desço as escadas.

Sento-me em uma cadeira qualquer

Bato palmas! Viva!

Levanto-me, bato mais palmas!

Corro ao encontro das escadas

- Como eu amo estas escadas! -

Subo correndo,

Curvo-me novamente para as cadeiras

E agradeço a todas elas.

Pois não estou só, elas estão comigo...





(3º ato)





Volto a dançar e a me lembrar de você.

Você que eu não sei onde está.

Mas não ligo, continuo dançando.

Meus pés doem.

Não mais que meu coração.

Sim, uma coisa dentro de mim.

Que não sei explicar, mas aquela vontade...

De algo que me toque lá por dentro,

Que mexa comigo.

Continuo dançando:

Só me restam duas lâmpadas acesas.

Os estilhaços de vidro estão cada vez menores de tanto pisá-los.

Apalpo todo o meu corpo.

No rosto o meu canto de expressão.

No sexo a expressão do meu canto.

Um canto de amor...





(4º ato)





A música suave, mas expressiva a que ouço, a que exponho.

Eu grito:

"Quem quer um pouco de emoção?”.

“Quem vem dançar comigo?’”.

"Por que estou tão só aqui?”.

Outra luz se apaga e eu continuo a dançar.

Giro, rolo no chão, machuco a minha mão esquerda.

Estou molhado de suor, passo as mãos trêmulas no rosto.

Ajoelho-me, sento-me.

E caio de costas de braços abertos.

Levanto os braços lentamente, como a música pede.

Tento agarrá-la, mas ela foge-me ás mãos.

Faço movimentos rítmicos, rolo no chão, penso em você.

Como aquele sonho, volto a dançar.

Sou dono do palco, sou ator, sou platéia.

Só uma luz, não importa a cor - só uma luz...

Meus passos começam a tropeçar,

Meu coração a bater mais forte,

Eu penso:

Saudade, tristeza, - foi Deus quem fez?

Abraço-me mais ainda,

Aperto a minha perna dobrada,

E começo a beijá-la e a acariciá-la também.

Digo-lhe palavras doces.

A última luz se apaga, como a esperança que se vai.

Volto a pensar em tudo e em todos.

O palco marcado de meu sangue,

O teatro de meu choro e meu coração de mágoas.

Paro de dançar:

Choro, choro, choro...





Como eu queria alguém aí na platéia...Que batesse palmas pra mim:

Bate,... Bate,...Uma "veizinha" só...

Obrigado.

O TEMPO 1









Suave brisa de outono
Beija-me através da janela.
De porta em porta uma folha
Um galho desnudo ao frio espera
Um inverno que traz o branco
Um retângulo de vidro faz a tela
Vejo-me através desta moldura
Recordando outono, vidro e janela