A REALIDADE E A FICÇÃO
CONCEITOS E PARADIGMAS
Muitas vezes as pessoas ficam
hesitantes em não querer acreditar em coisas que nem sempre a gente vê, mas
sente.
Existem percepções ou sensações
que uns dizem que é paranóia, histeria, é o demônio atentando, é o fim dos
tempos, é castigo de Deus e outras explicações mais, a respeito daquilo que na
verdade não sabemos explicar.
As pessoas comuns geralmente
levam o assunto para o plano espiritual ou descambam para a total
incredibilidade. Geralmente, dizem os incrédulos: “Cadê que eu não estou
vendo?”.
O crédulo em espiritualidade
costuma a atribuir a coisas divinas, mas que não se pode tocar. Caso se
arrisque a tal, poderá ser castigado para sempre, sem perdão. Estes
possivelmente são condenados ao medo de pensar no novo.
Os estudiosos de parapsicologia às
vezes se deparam com situações que eles não conseguem explicar se baseando
naquilo que eles estudaram e experimentaram e algumas vezes eles arriscam a
interpretar, baseado em suas próprias experiências e convicções. Mas o universo
ainda é muito desconhecido para nós e para a nossa capacidade de lógica e
raciocínio.
Muitas vezes somos mais egoístas
do que capazes de possuir sensibilidade para perceber o desconhecido. O mais
comum nas pessoas ou qualquer animal neste planeta em que vivemos, é fugir de
algo que é desconhecido. Um simples mosquito ao se sentir em perigo voa em
disparada para proteger a sua vida.
Na verdade, nós, agora, só temos uma chance de viver esta
vida. (Pelo menos é o que conhecemos de concreto.). Se a gente facilitar e
perdê-la, não é possível reverter. Pois aí já inclui o tempo. Já viramos
passado. Qualquer observação ao contrário é duvidosa e ninguém consegue prová-la.
Existem coisas que deixam a gente
incapaz de raciocinar com a lógica que possuímos. E tudo fica sendo uma
história boba ou a gente nem comenta com os outros para não se tornar ridículo.
Quem se arriscaria a contar que viu um ser do outro mundo? Seria taxado logo de
maluco ou mentiroso. Mas... e se for verdade? Não estaremos perdendo tempo com
conclusões conservadoras?
Costuma-se a perguntar as
pessoas: “Você é contra ou a favor de ...?”. Ora, como é que eu vou opinar,
muitas vezes, uma coisa muito complexa, com um simples “eu acho”? Isso só
funciona mesmo nos bares da vida e após a longa discussão etílica, tudo se
torna volátil mesmo e acaba após a conta e a ressaca do dia seguinte.
Há pessoas que nunca vão entender
certas coisas, porque simplesmente acham que o seu paradigma é dono de todas as
verdades do universo. Fora disso o resto é estupidez. Daí dizem que milagres
não passam de fatos que simplesmente as pessoas que estavam ali no momento eram
ignorantes e foram iludidas com o espetáculo. Eu até acho que depois deles
dizerem isso, vão pra casa na dúvida. Mas ficam calados para que ninguém desconfie
de que eles também estão na dúvida.
Quem gostaria de ir para o
paraíso, céu ou qualquer lugar de felicidade eterna após a morte? Com certeza,
todos! Porém que gostaria de ir agora?
Definir aquilo que a gente ainda
não conhece é inútil. Podemos estar caminhando no sentido contrário. Porém ser
mais aberto ao novo, é salutar e corajoso. Senão estaremos andando em círculo
toda a vida. Quantos tabus e preconceitos de hoje serão assuntos e coisas
tratados amanhã naturalmente? Antigamente o planeta Terra era o centro do
universo e ai daquele que dissesse o contrário! Seria incinerado em praça
pública com a alegação de que estava possuído pelo demônio. O ser humano
cometia as atrocidades e depois culpava ao demônio. Galileu Galilei, quase
entra nessa fria (Que fria!). Pobre das bruxas. A elas tudo era dado a culpa.
Pois nesta época, mulheres não podiam ler nem escrever. A igreja não somente
tinha nas rédeas o controle da espiritualidade como da cultura. Quaisquer
coisas que interferissem, eram consideradas coisas do demônio, conseqüentemente
deveria ser queimada em nome da santa cultura medieval.
Hoje não mudou muita coisa em
relação aos tabus de preconceitos. Continua a mesma consciência de que tudo
deve ficar como estar. Quando se fala em biogenética é só um assunto para
deleite de cientistas ou mesa de bar contando com a grande distância
intelectual. Mas quando chegam a prática, os dirigentes, os chefes religiosos
se assombram com medo talvez de perderem as rédeas e a verdade pertencer a
todos os seres inteligentes. Pois estes líderes de cristal têm medo de se
partir.
I
A MINHA HISTÓRIA
Era, certa vez, ao entardecer, ou talvez fosse mais ou menos umas sete e meia da noite. Não
consigo lembrar exatamente o momento. Por ter sido um dia de pouca atividade
noturna, o edifício que fica junto ao fim do quintal da casa estava quase todo
apagado.
Ouviam-se
poucos sons a não ser dos televisores ligados. As casas estavam com os seus
moradores entretidos com as novelas e outros programas. Hábito corriqueiro do
dia-a-dia das pessoas neste planeta. Afinal não se tem muito para fazer aqui
quando não se quer. Cada um tem pena de si e não liga para os outros, salvo
algum interesse próprio.
Olhei para cima e vi uma luz no
céu. Parecia uma estrela cadente que se deslocava no sentido oeste-leste. Ou
seja, do continente a praia.
Eu estava no quintal da minha
casa, um quintal onde tem uma mangueira lá no fim, e algumas outras árvores
como um pé de cupuaçu, planta que é nativa da Amazônia. Árvore de folhas densas
e bem verdes. As outras nem dava pra gente se esconder. São arbustos, pés de
pimenta e algumas plantinhas bem pequenas.
Estava eu no centro do quintal
onde normalmente sempre dou uma olhada para o céu. Pois bem, foi um desses
dias, em que dei uma espiada lá pra cima e vi algo que me parecia estranho ao
que sempre costumava a ver.
Era uma luz diferente. Era uma
luz que se deslocava em uma velocidade, não comum para um avião, ou algum
objeto conhecido, mas também não era tão rápido quanto um meteoro.
Essa luz foi vindo em minha
direção, exatamente no sentido em que eu estava. E cada vez mais ela se
aproximava do solo. Foi tomando forma, e crescendo de volume com a sua aproximação.
Olhei com mais atenção e percebi que havia uma coisa
de um tamanho de um automóvel, mas transparente. Foi quando eu comecei a
ver os detalhes, percebi; era um objeto que dava a impressão de ser
transparente, mas sem se ver algo por dentro. Era como se fosse espelhado, mas
sem refletir muito a luz. Uma transparência tênue. Este
objeto foi lentamente se aproximando, até que ficou sobre o quintal.
Eu fui
gradativamente sentindo medo. Foi esquentando as minhas orelhas. Fiquei até
pensando se ainda estava vivo, acordado, sei lá o que. Me dava a
impressão, de que o objeto descia, mas ao mesmo tempo, reduzia a sua
velocidade. Foi quando eu percebi exatamente, que ele vinha em minha direção. Tinha uma forma oval, pelo menos é o que parecia visto de
baixo. Eu fiquei assustado, sem saber na verdade de que se tratava. Cada
vez que o objeto se aproximava, a sua luz diminuía, e ele ficava mais
transparente.
Me faz lembrar, quando eu era
adolescente em que certa vez eu fui capturar um tipo de borboleta, que só
aparecia ao entardecer, e que suas asas eram transparentes, mal dava para
vê-las entre as folhagens. Assim era este objeto. A noite vai chegando e a
nossa visão fica com uma certa deficiência. Eu não entendia exatamente o que
estava vendo. O objeto que mais parecia um pingo d’água, foi se aproximando,
até que parou uns três metros do chão, no quintal, e ficou transparente, como
uma bolha de sabão.
Nesse momento eu fiquei
congelado.
Pensei, agora serei abduzido e
nunca mais voltarei. Tentei correr, mas a curiosidade era maior. No momento não
sabia se tinha medo ou curiosidade. Era um mistura de tudo isso, e uma sensação
de ter encontrado, o azimute entre o consciente e o inconsciente. Eu estava
diante da maior sensação da minha vida.
De repente, naquele objeto, foi
se formando uma porta na parte da frente. O objeto em si tinha uma forma bem
arredondada, esférica, e na parte de trás de forma afunilada. Era um formato de
um pingo d’água em queda.
Abriu-se uma porta, e eu pude
perceber que havia alguém lá dentro. Não dessas formas que se costuma a relatar
por aí. Os famosos ET’s de ficção científica. Mas uma forma humana, de estatura
média. Pele esbranquiçada, não feito a gente, diferente, olhos claros, talvez
azul ou verde.
Este indivíduo tinha uma
expressão aparentemente tranqüila, mas ao mesmo tempo, com um certo receio. Olhava
atentamente pra mim. Talvez por eu não ser o tipo de indivíduo, que aparentasse
alguma beleza, para o seu padrão. Na verdade, eu não sou tão bonito assim. Eu
estava de óculos de grau, sem camisa, de calça jeans e sandália de borracha. O
indivíduo deste aparelho estava vestido com um traje de cor clara, entre
cinza-claro e azul matriz e bem adequado ao seu corpo esguio. Os sapatos, eram
também da mesma cor da vestimenta. Quem sabe, se no momento em que ele me viu,
não foi como, quando a gente vê um gorila?
Mas brincadeira pra lá, ficamos uns
cinco minutos um olhando para o outro, sem haver alguma comunicação. Eu estava
abestalhado com a situação, e não entendia o que estava acontecendo, eu sentia
a minha pele se arrepiar. Um aparelho no ar há uns três metros de altura, com
um ser que eu nunca tinha visto, talvez um metro e sessenta, e eu cá embaixo
sendo visto por alguém, que talvez fosse a primeira vez que via um ser humano
de tão perto. Essa era a minha primeira impressão.
Depois de algum tempo, eu percebi
que este ser, estava querendo alguma comunicação comigo. Fiquei, pois, mais alguns
minutos indecisos. Talvez eu estivesse mais com medo do que curiosidade.
Finalmente eu senti que este indivíduo estranho começava a se comunicar comigo,
de uma forma curiosa. Ele sutilmente gesticulava, balbuciava, mas eu entendia o
que ele estava querendo dizer: Primeiro ele disse que se chamava Rônam, um nome que eu nunca tinha ouvido e que vinha
de um lugar muito distante. Não dava para entender se era planeta ou coisa
parecida. E que fazia parte de uma equipe, que pesquisava o universo a procura
de vidas e inteligência galáctica e que também dispunha de uma tecnologia capaz
de permitir esta façanha. Já fazia isso há muito tempo e estava encarregado de
pesquisar os povos deste planeta. Eu não perdi tempo, e quando fui fazer uma
pergunta, ele já havia entendido o que eu queria perguntar. Suponho que foi por
uma questão de lógica não de adivinhação. Me lembrei logo que aqui existe tanta
tecnologia, mas as pessoas continuam egoístas.
Perguntei: “A sua tecnologia é avançada, e vocês?” Foi
quando ele fez um ar de tranqüilidade, dono de si e disse mais ou menos assim:
“A nossa evolução já é integral. De dentro pra fora. É uma
integração entre o intelecto e o executável. Nós temos a tranqüilidade de agir
sem a necessidade do medo. Sempre estamos cientes de qual será a reação do
outro. Nós agimos com a certeza de que o outro está integrado conosco. Não
precisamos duvidar.”
A partir daí, eu fui ficando
tranqüilo, mas ainda meio incerto com o que estava presenciando, e me parecia
que não estava diante de um predador, esperando para me abduzir, e depois me
fazer de cobaia como em tantos relatos desse tipo, que existem por aí.
O seu aparelho, ou o seu meio de
transporte parecia que boiava no ar, como uma bolha de sabão. Era uma imagem
discreta, que não chamava a atenção da vizinhança. Pois se isso acontecesse,
meu Deus, a minha casa seria destruída por curiosos, repórteres, e até
autoridades, sei lá! Eu em pouco tempo desapareceria. Sei lá...não gosto nem de
pensar.
Rônam
perguntou... eu acho, que só por perguntar, qual era o meu nome. Eu disse
Pablo. Ele fez um ar de riso, e me convidou para entrar em sua nave.
Eu fiquei pensando se valeria a
pena. Afinal não estamos preparados para o desconhecido. Não somos pessoas de
muita fé. E eu estava com o maior medo da vida e o pior; tentando mostrar que
estava tranqüilo diante de um ser que percebia tudo. Era uma experiência
incrível. Eu me sentia como se tivesse dopado de tanta emoção. Não tem
explicação que possa revelar o que eu sentia. Ele poderia me levar para o seu
habitat, como quem captura um papagaio, que se leva pra casa, e deixa sozinho
falando besteira para o dono uma vez ou outra. Qual a certeza que eu tinha, de
que ele estaria falando a verdade? Afinal não é assim que a gente faz aqui,
neste planeta!? A gente confia desconfiando das pessoas, e muito mais dos
estranhos. E que estranho!!!
Eu ainda conversei, como se diz,
puxando conversa para ver até aonde ele ia com o seu convite. Foi aí que ele
percebeu a minha relutância, e disse que eu não deveria me importar com essa
hipótese, pois ele se quisesse, tranqüilamente me abduziria, sem que pudesse
fazer a menor reação. Portanto estava ali, para me mostrar algo que eu nunca tinha
visto, e queria que eu levasse essa experiência comigo para o futuro.
O tempo passava, e já eram mais
ou menos umas oito horas da noite, talvez. Eu não sabia mais sobre o tempo.
Estava meio desorientado pela emoção. O quintal estava escuro, não dava pra ver
direito. E a nave estava cada vez menos visível. A menos que a gente prestasse
muito a atenção, é que notava que havia algo ali, menos a porta, que estava
aberta e dava pra ver o Rônam, e a imagem da
porta, como se fosse só em duas dimensões. Uma figura impressa num papel. Não
se notava a profundidade. Era talvez uma proteção, para que ninguém fora eu,
percebesse a presença do visitante. Era como uma tela de monitor de cristal
líquido.
Finalmente, eu aceitei, e disse
que aguardasse um momento para que vestisse uma camisa.
O COMEÇO DA VIAGEM
As pessoas, em casa, estavam lá
fora na calçada, e nem perceberam o que estava acontecendo no quintal. Eu
entrei e fui para o quarto meio trêmulo de emoção. Nunca havia sentido isto. Eu
não sabia se estava tomando uma atitude certa.
Calcei um sapato tipo boot preto,
vesti uma camisa de mangas compridas azul-claro, e me dirigi para o quintal.
Aconteceu uma coisa muito interessante.
Rônam entrou na nave que não dava mais para
vê-lo. De repente desceu uma luz, parecia uma escada, bem tênuee, em minha
direção e eu não sentia mais o efeito da força gravitacional da Terra. Era como
se de repente, eu perdesse todo o meu peso.
Em seguida, eu senti que meu
corpo subia em direção a porta da nave, e não sentia aquele efeito de elevador,
que empurra a gente para baixo. Era uma levitação perfeita. Até que eu cheguei
à porta e entrei.
O mais incrível, é que quando eu
entrei, e a porta se fechou, eu estava em uma sala, bastante iluminada, onde
havia mais duas pessoas sentadas e duas poltronas vazias, sendo uma principal. Mais
lá dentro havia duas pessoas que eram duas mulheres, digamos. Fisicamente
parecidas com as mulheres daqui do nosso planeta. Vestidas com o mesmo traje.
Era como se fosse uma roupa de trabalho. Eu não percebia nenhuma transparência,
como se via pelo lado de fora. Imagine entrar eu uma tela de um monitor de quartzo
líquido. É meio incompreensível, mas foi assim mesmo. É como entrar num
espelho. Era uma sala com cadeiras fixas no chão da nave, uma delas no centro,
um painel iluminado, e uma tela, como tela de computador, de uma altíssima
definição, mostrando o chão do quintal, e uma parte do telhado. Isso era na
frente do veículo. Como um pára-brisa de carro. O painel era mais sofisticado
do que o de um avião. Cheio de controles. Nunca tinha visto tantos mostradores
sofisticados na minha vida. A visão lá fora era como se fosse uma câmara de
filmar e dentro a imagem de um telão.
Não dava para entender, como é
que a nave vista de fora, fosse relativamente pequena, e o ambiente interno tão
grande. Havia também umas janelas, que na verdade, eram telas que davam para
ver ao lado. Mas dava para entender que não eram janelas de vidro, e sim um
sistema de uma câmara que captava a imagem e transmitia para aquela tela com
imagem em tempo real e tamanho natural.
De repente a tela maior apagou e
segundos após quando voltou a imagem, eu via o planeta Terra, como em
fotografias tiradas das naves Apolo. Não deu para entender como isso aconteceu
tão rapidamente.
Na verdade, já havíamos deslocado
essa distância toda sem que eu percebesse a velocidade. O interessante dessa
experiência, é que a gente não sente o deslocamento. Não sente absolutamente
nada. É muita velocidade mesmo. É incompreensivo para os nossos pobres
neurônios. Dá até uma sensação de que estamos sonhando. Ou será que eu estava
mesmo? A sensação de estabilidade é como se estivéssemos parados no chão.
Parada a nave, supunha eu, Rônam começou a fazer comentários sobre a mãe Terra. Foi
assim que ele se referiu. Os outros tripulantes também prestavam a atenção ao
que ele dizia. Ele conversando, mas na verdade quase sem abrir a boca, fez
vários comentários e eu lembro que ele disse que este planeta estava em uma grande
evolução, só que não vinha acontecendo uniformemente como deveria ser. Existem
muitos medos dentro das pessoas, e que fazem elas se tornarem agressivas umas
com as outras somente por medo mesmo. Uma das coisas que ele destacou foi que a
evolução só se processaria de forma correta, se o ser humano soubesse trabalhar
o tempo, e compreendê-lo tanto o passado, como o futuro. Essa incerteza é que
provoca essa confusão. Mas a grande dificuldade é que as pessoas não conseguem
um paradigma comum a todos e sim cada um quer ter o seu.
Os indivíduos deste planeta ainda
estão em evolução genética. É como se faltassem ainda alguns ajustes. Mesmo que
eles quisessem, mesmo assim não conseguiriam modificar certos ajustes por falta
de compreensão do seu intelecto ainda imaturo para certas compreensões. Imagine
tentar se comunicar com uma pessoa que não possui o seu nível de intelectualidade.
Ele olha pra você faz que lhe entende, mas na verdade a sua informação é
simplesmente superficial para ele. Na verdade ele não sabe o que você está
falando.
Depois de muita conversa, e coisa
até que eu na verdade não entendia, pois ele falava muito e demonstrava uma
preocupação com o planeta como se estivesse aos seus cuidados.
Ele me falou também sobre as
explosões de Hirochima e Nagazaki, quando aconteceu, e como se fosse uma coisa
inesperada, que vários óvnis foram até o local para ver na verdade o que estava
acontecendo. É como se fosse uma coisa que eles não esperavam que acontecesse
tão de repente.
Fez comentários sobre a guerra
que houve no Oriente, entre o Iraque e o Kuwait. Ele disse que se eles não
ajudarem as pessoas daqui da Terra, correremos o risco de uma destruição
violenta do planeta. Enfim falou de tanta coisa, que eu nem lembro direito.
Basicamente mencionou fatos, que poderiam prejudicar a nossa civilização. Em se
tratando de violência declarada ou mesmo sutil. Como a destruição dos
mananciais, das florestas e a própria poluição do ar. Esta última ele enfatizou
como uma coisa gravíssima.
Tinha umas coisas, que fica até
difícil explicar, pois é preciso que as pessoas entendam, que nós não somos
apenas o que percebemos. Somos muito mais. O difícil é entender. Me parece até
que fomos alterados geneticamente por estes seres alienígenas. Como os nossos
cientistas conseguem fazer alterações nas plantas, por exemplo.
CIRCUNDANDO A TERRA
Depois de uma longa conversa,
voltamos a nos aproximar do planeta Terra e começamos a viajar em volta dela
várias vezes. Eu já havia perdido a noção do tempo. Não sabia nem hora, nem dia
de tanto ver dia e noite se passando rapidamente. Tanto no sentido oriente como
ocidente. Tudo dependia da direção que a nave tomava. Eu comecei a perguntar
sobre os controles da nave. No meio de tantas luzes, inclusive luzes que se
projetam num painel como se ela estivesse no ar. Ela não brilha quando encontra
um anteparo ou parede ou qualquer coisa parecida. Ela acende como se diz, no
meio do caminho. É terceira dimensão mesmo. Não é difícil compreender o painel,
porque ele não é com números ou letras ou qualquer código. É com sinais lógicos
que dá para entender perfeitamente. Basicamente é com as três dimensões. Para
quem entende de matemática, sabe o que são as linhas “x”, “y” e “z”. É o que
sobe e desce, anda de lado e pra frente e pra traz. É claro que tem umas
informações que só o técnico entende, mas o leigo olhando já dá para entender
muita coisa. Tudo em terceira dimensão. Dá pra imaginar a nave vista de fora
como se a gente estivesse de lado vendo ela voando.
Com a aproximação da nave ao chão,
eu pude ver a cidade do Recife como uma fotografia aérea. Pois eu vi através da
tela, que fica no centro da sala principal. Tudo se passava como se fosse um
filme. Depois o veículo ia navegando em direção ao mar. A praia parecia uma
faixa branca, e o mar ia ficando mais escuro na proporção em que ia mais para o
centro. Cada vez mais, a nave ia descendo, até que ficou bem próximo da
superfície do oceano. Dava a impressão que a gente ia navegando, num barco, sem
que tocasse na água do mar. Não se via mais nada a não ser as ondas e um mar
azul marinho. Me deu até certo medo, como se estivesse num barco. Com isso pude
ter a idéia da imensidão do oceano, e ao mesmo tempo, aquilo tudo estava
contido em um planeta, que minutos antes, era apenas uma bola lá no céu.
Começamos a viajar em uma
velocidade espetacular. Talvez mais de 5 mil quilômetros por hora, ou coisa
parecida. Próximo à nave não dava para ver nada. A nave começou a subir, para
que pudéssemos ver melhor na tela, pois com a velocidade que estava eu não
conseguia ver nada, a não ser a cor azul do mar e o céu.
Íamos em direção à África; eu
digo isso, pela forma como íamos voando. Se a gente sai do nordeste do Brasil,
em direção ao ocidente, só pode ir para o oeste da África. Foi o que eu pensei.
A viagem parecia um filme sendo
visto pela tela. Pois a gente não sente o deslocamento. Parece que estamos
parados. Dava pra ver de vez em quando um navio se deslocando em um oceano
imenso. Quando mais tarde começou a aparecer às praias do continente africano.
Devia ser Marrocos. Pois eu não conheço nada dali. Era uma praia. Uma praia
comum como as que eu conheço, mas ao contrário. Pois as praias aqui eram
viradas para o sol nascente e estas que eu estava vendo, olhava para o por do
sol. Eu não sabia mais que dia era, nem queria perguntar, para não me parecer
um bobo. Rônam, sentado na poltrona principal, conduzia
calmamente a sua nave, e eu ficava abestalhado, com o que via. Outro detalhe é
que quem manobrava os controles eram os dois que ficavam de lado. O Rônam só fazia dizer alguma coisa como, para onde ele
queria ir, por exemplo.
Eu sentia a impressão, que estava, ora acordado, ora
sonhando. Eu não sabia o que estava se passando, pois, eu estava, diante de uma
pessoa diferente, e que eu nunca tinha visto, dentro de um veículo que nunca
tinha visto e me sentindo um estranho ali dentro. As duas outras ocupantes me
olhavam o tempo todo como se estivesse me examinando.
Viajamos bastante, por lugares
que nunca imaginava que existia, aqui na Terra. O planeta é muito bonito. E o
mais interessante: não estávamos sendo notados por ninguém. Pelo menos é o que
eu pensava. De vez em quando as pessoas dizem que vêem um disco voador.
QUEM SOMOS NÓS
Durante a viagem, eu perguntei a Rônam, o que ele entendia por religião. Ele ficou me
olhando e eu achei que ele não queria responder. Mas em seguida ele perguntou o
que eu queria saber. Eu disse que não tinha religião definida. Tinha as minhas
dúvidas. Ele comentou que é uma coisa muito de necessidade, e que as pessoas
explicam as coisas que não entendem, com rituais e dogmas. Ficaria difícil
explicar a alguém, a relação entre os grandes líderes carismáticos, e as
pessoas de superinteligências emocionais, que vieram aqui para este planeta,
com a criação das religiões. É tão complexo, como explicar as pessoas que têm
pouca informação cultural, como funcionam as micro partículas da matéria. Ele continuou
dizendo: A evolução tecnológica aqui neste planeta, já evoluiu bastante, em
relação a capacidade de aprendizagem de vocês, mas ainda é muito pequena a
capacidade que vocês têm de aprender. O que falta, é a evolução começar de
dentro do que vocês chamam de alma. Desde quando esta humanidade começou a
pensar e a aparecer pessoas com bastante inteligência, mas com uns interesses
não coletivos é que começaram a aparecer as religiões que utilizam as outras
pessoas (os fiéis) para que eles possam realizar seus eventos, sem as quais seriam
impossíveis. Como construções de prédios ostensivos para impressionar os menos
privilegiados da inteligência. Inclusive essas inteligências privilegiadas não
só agem para o bem como para o mal e também para o seu próprio benefício. Para
a felicidade dos que vivem aqui, de vez em quando chegam para passar uma vida
aqui neste planeta, serem de alto valor espiritual para dá um equilíbrio. Mas
logo em seguida com a ida deles recomeçam a se aproveitar dos seus ensinamentos
para benefício próprio. Isto é uma característica dos seres daqui que ainda
estão em evolução espiritual. Faltam-lhes discernimento e amor ao próximo. Tudo
isso por causa do medo do desconhecido. Do apego as coisas materiais daqui
deste planeta. Tudo aqui deve ser usado, mas em parceria. O fato de
querer só pra si é o medo de perder. Ninguém pode perder o que não é seu. Tudo
que se tem aqui neste planeta pertence a todos que estiverem momentaneamente
morando aqui. Nada aqui pode ser declarado meu, a não ser o próprio eu do
indivíduo.
Parecia que eu estava tendo uma
aula. Mas como eu sou humano, e tenho as minhas emoções peculiares, eu comecei
a me preocupar com o momento, e as pessoas que poderiam sentir a minha falta.
Como eu iria justificar onde eu estava? Será que já haviam notado a minha
ausência? E depois como seria a minha vida? As forças armadas, os jornalistas,
os homens de preto e outros mais?
Aí, eu falei para Rônam, é claro, do que ele já estava percebendo. Chega
a ficar estranho uma pessoa já saber do que você está sentindo. Eu disse:
“Estou preocupado com o pessoal de lá de onde eu moro." Ele disse
calmamente. Não se preocupe que isto já foi resolvido, desde que você saiu de
lá. Os nossos equipamentos funcionam com um sistema, que trabalha com elementos
semelhantes aos dos seus cérebros. Antes de sairmos de lá, foi induzido nos
cérebros de várias pessoas, uma programação, para que todos esquecessem o
momento da sua ausência. É como se fosse retirado de uma seqüência do tempo,
uma faixa de algumas horas. É como se um dia seu, de vinte e quatro horas,
fosse tirado uma parte da tarde, entre as duas e as quatro horas e ninguém
percebesse. É como uma anestesia geral. Depois eu entendi que aquela história
era figurativa, pois a explicação correta é mais profunda. Tem a ver com uma
dimensão chamada de tempo, que é alterada e segundos que se passam aqui, pode
ser uma eternidade lá fora.
A
CIDADE CINZENTA
De repente, sem que nenhum de nós
tivesse falado alguma coisa, Rônam resolveu
parar e descer em uma cidade aparentemente conhecida. Era uma cidade que dava a impressão de que
tivesse sido visitada, algum dia, por mim. Paramos bem no centro de uma rua.
Era uma cidade meio acinzentada, como são as cidades dos lugares mais frios. A
sua aparência era de um anoitecer. A nave parou da mesma forma que parou lá em
casa. As pessoas conversavam umas com as outras, mas, as pessoas que iam
passando, não se incomodavam com a aparência da nave, ou talvez nem tivessem
vendo. Descemos, eu, Rônam, mais um casal, e
fomos até em frente a uma igreja, enorme, alta, com a cor cinza de suas
paredes. Era muito alta. Tinha duas torres enormes, e pontiagudas. Com uma
porta também muito grande, como principal e duas laterais, do mesmo formato,
mas um pouco menor. Entramos e fomos caminhando até o fundo da igreja. Por ser
a sua nave muito alta fazia a gente ter a impressão de que éramos pequenos,
mesmos. Havia uma imagem de um anjo, de aproximadamente, uns cinco metros de
altura. Ficava no lado direito do altar principal. Tinha a aparência de
cristal. Era o tipo de um anjo, como costumamos ver, baseado na versão da
igreja católica. Provavelmente essa igreja fosse católica. As asas muito
grandes presas nas costas de um homem de cabelos longos, vestido em um traje
característico, do povo do oriente. E o mais incrível, é que não tocava no
chão. Era suspenso no ar. Havia uma sensação de mistério. Havia algumas pessoas
sentadas nos bancos, e o ar era frio e levemente enfumaçado. Dava a impressão
de algo ligado ao plano espiritual. A luz entrava pelas frestas nas paredes
formando umas linhas diagonais enfumaçadas e se projetando no chão. Era como se
fosse luz de um palco de teatro.
Rônam
se dirigiu a uma porta lateral da igreja e foi conversar com uma pessoa. Entregou-lhe
um objeto. Após alguns minutos de conversa, já dava para notar que ele conhecia
o seu interlocutor, voltou e me disse para irmos embora. Fomos caminhando no
centro da igreja até a saída. Na porta, eu fiquei observando o ambiente. As
pessoas passavam normalmente como em uma cidade qualquer, mas eu não entendia
onde era aquele lugar e fiquei até na dúvida se era mesmo no planeta terra.
Resolvemos andar um pouco para
que eu pudesse ver a cidade. Havia rua, calçadas com um tipo de pavimentação
como o nosso que conhecemos. São placas, umas junto das outras. As ruas eram de
largura normal como qualquer cidade. Havia veículos parecidos com carros.
Poucos, não se ouvia barulho de motores. Era uma cidade silenciosa. As pessoas
nas calçadas como em uma cidade qualquer, andavam moderadamente sem pressa,
indo e vindo. Raramente se via alguma árvore. Não sei porque, talvez pelo tipo
de temperatura ou mesmo porque naquela hora havia pouca luz, não dava para ver
direito qualquer coisa muito distante. As casas eram como se fossem casas
antigas, aquelas vista em fotos nos anos de 1920 ou 30. As roupas das pessoas
eram de todo o tipo menos roupas curtas ou muito decotadas. Havia homens e
mulheres, todos com roupas escuras, mas bem vestidos.
Não sei se foi por falta de
curiosidade, mas não vi nada que se assemelhasse a casa comercial. Só vi casas
do tipo residencial. Afinal aquela cidade não era uma cidade comum.
Quando me virei para Rônam, ele já estava esperando a minha pergunta, e
disse: Você está preocupado onde estamos? Isto aqui é uma cidade que fica na
Europa Oriental, ela não tem nome, usa-se um código entre os habitantes, e é
onde as pessoas que possuem um alto grau de sensibilidade, vêm para cá. Este
lugar tem muita energia do plano superior. Pouca gente sabe da sua existência.
Como você vê, não precisa ser uma cidade que chame a atenção das pessoas.
Somente as pessoas que conseguem compreender o que está acontecendo aqui, é que
entendem. Aqui se reúnem pessoas de um alto grau de espiritualidade. Você é uma
dessas pessoas que está apta para desenvolver esta característica. Quando
voltarmos para a sua cidade, você vai vir aqui só com a sua parte energética.
Não vai precisar vir com o seu corpo. Aqui as pessoas não precisam de matéria,
pois estão aqui para uma aprendizagem espiritual, portanto não precisam de
bagagem. Somente a sua energia, a que forma o seu ser. O curioso do planeta
Terra, é que muita gente com bastante cultura para vivenciar estas coisas, não
acreditam nesta possibilidade. Lembre-se que tudo o que você vê é reflexo da
luz. A matéria pode está lá de onde vem a luz ou ser pura sensação da sua
percepção. Aqui não há necessidade de matéria como em outros lugares da Terra.
Aqui as pessoas não necessitam de alimento de tipo algum como em outros lugares
onde se usa a matéria. O corpo físico é como uma máquina, precisa
constantemente de consumir alimentos para fazer a sua própria energia. Quando
se está somente com a parte espiritual, o consumo de energia é bastante
diferente. Não precisamos de nenhuma matéria para transformar em energia. Recebemos
já prontas para as nossas necessidades sem que precisemos armazenar. Quando a
energia é extraída de outra matéria, precisamos excretar. Em estado de
espírito, não há necessidade. Simplesmente transformamos a energia em outro
tipo de energia imediatamente reutilizável. E essa forma nos faz infinito
dentro dos valores que você conhece.
CHEGAMOS
DE VOLTA
Depois disso, voltamos para a nave,
que estava ali estacionada. Entramos e fomos para a cidade do Recife. Quando
chegamos, parecia que era ainda de manhã, bem cedinho. Rônam
disse uma coisa interessante: Você vai entrar em sua casa, vai para o
seu quarto e na hora que for se deitar, faça bem devagar, e dê a impressão de
que está entrando em seu corpo, como se estivesse vestindo um escafandro de
mergulho ou uma roupa de astronauta, e depois vá se alongando e relaxe. Isso
vai dá a impressão, de que você chegou em espírito, e entrou na matéria, como
as pessoas de sua casa acreditam, fica mais fácil, para elas entenderem. Segundo
ele a casa que eu moro tem muitos seres somente em estado espiritual e as
pessoas de casa já estão acostumadas a vê-los. Logo não estranharão com o que poderiam
vivenciar. Eu aproveitei o momento e fiz mais uma pergunta: - Quem são estes
seres? Ele respondeu: - São pessoas que viveram neste local em matéria e estão
fazendo uma atividade semelhante a você, só que é para adquirir um outro estado
espiritual. Isso vai demorar bastante. Por isso eles moram no mesmo local de
origem para não perder a referência.
Então, assim eu fiz e que quando
o dia amanheceu, eu ouvi os comentários exatamente como Rônam havia descrito. “Você
estava viajando por aí! Eu vi quando você chegou e entrou no seu corpo!”
Depois disso Rônam disse
que ira partir para outra operação e que eu aguardasse a sua volta. Os outros
tripulantes me cumprimentaram e deu um sinal de até a volta. Uma das mulheres
da nave me deu um objeto parecido com um lápis transparente e disse que eu
esfregasse entre as mãos até desaparecer que eu sempre estaria em contato com
eles. Assim fiz e foi como se o objeto fosse de gelo sem ser frio, foi
desaparecendo lentamente até sumir. Já tive um sonho em que viajava sem meu
corpo. Eu sentia, via as coisas, menos o meu corpo. E no dia seguinte eu voltei,
como na vez anterior. Vestindo o meu corpo. Essa comunicação é feita sempre com
a presença dessa tripulante da nave de Rônam.
Um objeto que Rônam usa com freqüência eu dei uma voltinha.
Quando estive na nave de Ronam eu tive a oportunidade de ver um equipamento
muito interessante que me causou logo curiosidade. Encaixado na parede da nave,
estava um aparelho mais parecido com um escafandro, tipo aqueles que se usam
normalmente para pesquisas submarinas. Só que tem um capacete parecido com o de
motociclistas de corrida. Bastante equipado e da cor do azul do céu sendo
cintilante.
Me dirigi a Ronam e perguntei de que se tratava aquilo. Ele
desprendeu da parede e disse: “você vai gostar bastante.” Era uma peça em que a
gente veste uma parte e a outra encaixa no vestuário. Assim; tem uma parte que
é presa no ombro, passando por baixo dos braços, nas axilas. É bem ajustado de
modo que fica colado ao peito. Desce uma espécie de tira de um material que
pode ser metal ou um plástico muito rígido que segue toda a coluna cervical.
Nas nádegas, essa peça se bifurca formando duas conchas que se adequa a cada lado
das nádegas e passando entre as pernas sem causar algum desconforto. Existe um
ajustamento automático nas costas. Desce um fio do peito até a virilha onde se
encontram as extremidades da peça que veio por trás.
Pronto, está vestido.
O material de que é feito não dá
para saber. É como se fosse um plástico muito rígido, cinza escuro. Atrás da
peça que passa pela coluna cervical, na altura dos ombros, tem uns encaixes. Estes
encaixes são para colocar uma peça que é um propulsor estabilizador em forma de
um cilindro com uma extremidade esférica e a outra cônica. Novamente esférica
na ponta do cone. A aparência é como se fosse um cilindro de mergulho, só que o
tamanho é reduzido. Ele é tão bem adaptado que não se sente à sensação de puxão
quando se é deslocado do chão e se é virado em qualquer direção em relação ao
chão.
Dá para perceber um leve zumbido
quando ele está fazendo algum movimento brusco. Verdadeiramente não tenho
certeza se este zumbido é do aparelho ou da própria evolução do movimento.
Possui muita força e uma capacidade de mudança de direção incrível.
Não é difícil de manuseá-lo. Se
aprende rápido. Sai da parte superior da vestimenta um cabinho que vai até o
pulso e é preso por uma alça. Daí ele projeta virtualmente uma espécie de
comando que com os dedos se comanda o veículo. É como umas teclas de luz.
Agora o mais fantástico é o capacete. Quando a gente coloca,
primeiro tem uma regulagem com o tamanho da cabeça. Pois é muito importante.
Ele não é ligado a nada. E na parte de cima, onde a visão alcança, é como se
estivesse um painel incrível a mais ou menos um metro de distância, num raio de
cento e trinta graus no sentido horizontal. A sensação é parecida com a cabine
de um avião.
Não tem números ou qualquer sinal
escrito. É somente mostradores com desenhos estatísticos, super fácil de ler.
Por exemplo: se você sobe, aparece um desenho gráfico da altura em que você
está, em uma escala com cores diferentes, mostrando o nível de segurança como a
rarefação do ar.
Se você pretende fazer uma curva
brusca, um outro desenho gráfico mostra o desconforto de tal mudança. Ele quase
que adivinha o que você está pretendendo fazer.
Agora são muitos mostradores para cada tipo de ação. Tudo
isso numa tele só. A cada movimente ou comando atual ele se desloca no centro
do painel virtual. É uma alternância de mostradores.
Até aquele que controla um tipo
de pulo que você dá como se a gravidade daqui fosse a da Lua, por exemplo. É
uma espécie de moto-estrada sem roda. Você voa, pula, vai pra frente ou pra
trás, ou de lado. Tudo depende da sua habilidade na proporção em que você vai
se adaptando. Existe até um movimento pondo as mãos perpendicular ao antebraço
que desativa os comandos, para que você faça outra operação, como pegar alguma
coisa. Se fizer novamente o mesmo movimento no sentido inverso, você reativa o
painel virtual.
Assim Ronam
me explicou como tudo funciona e fomos para um local bastante deserto e eu
vesti aquele aparelho. A princípio fiquei meio desajeitado com o equipamento,
mas depois me adaptei e logo fiquei dando piruetas e cambalhotas no ar. É fácil
e qualquer um que sabe andar de moto se adapta logo, logo.
Eu perguntei para que serve um aparelho deste, já que a nave
faz tudo. Ele respondeu que funciona como um salva vidas na hora de uma pane ou
mesmo para explorar regiões de florestas ou desérticas.
Quando se está andando com este
aparelho, você pode ligar um sistema que quem o vê de longe, só vê uma luz e
mais nada. As luzes podem ser de qualquer cor. Elas servem para identificar o
tipo de atividade que se está fazendo no momento.
São as famosas luzes que passam pelas estradas a toda
velocidade, depois sobem com grande velocidade e desaparecem no céu. E quando
elas são apagadas e não dá pra ver mais nada.
Fiquei encantado e Ronam com um ar de satisfação. Foi quando eu vi as
mulheres rirem pela primeira vez. Ou pelo menos faziam um ar de riso.
O
RETORNO DE RÔNAM
Há meses que eu não tinha mais
visto a nave de Rônam. Tenho sempre um tipo de sonho em que eu saio voando por
aí, mas sinto como se estivesse voando sem sentir o meu corpo físico. Depois
dessa primeira experiência, tenho vivido muitas transformações na minha vida e
atravessado muitos portais. Um deles me pareceu que eu iria me desfazer de meu corpo
material e por fim ficar de vez do outro lado da vida.
Eu de repente sem nenhum motivo,
comecei a adoecer. Já havia deixado uns hábitos prejudiciais à saúde material e
espiritual há alguns anos. Não fumava cigarros de tabaco, nem bebia bebidas que
continham álcool. Estava num processo de desintoxicação que já fazia uns dois
anos. Foi quando o meu organismo começou a reagir talvez pela falta do hábito,
mas sem capacidade para se regenerar. Comecei a sentir dores e a perder
energia. Só me sentia bem quando viajava durante a noite por lugares parecidos
com a cidade cinzenta. Até que um dia eu senti que não conseguia mais dominar o
meu corpo físico. Eu estava sentindo que iria morrer. Cheguei até a lamentar
por não poder continuar alguns eventos que estava em minha programação aqui na
Terra e nessa dimensão.
Fui levado às pressas para um
hospital em estado grave. Sofria de uma infecção no fígado, órgão responsável
pela transformação de matéria em energia para o meu organismo. Estava tão
intoxicado que durante uns quatro dias fiquei desligado do tempo. Não sabia
onde estava nem conseguia distinguir dia e noite. O tempo para mim não existia.
Fui submetido a um tratamento quase de choque com antibióticos. Na primeira
dosagem eu tive uma vontade de vomitar terrível. E se seguiram 40 dias e 40
noites em um leito vendo de tudo que eu não imaginava que existisse de
sofrimento num ser humano. Um local que eu denominaria de purgatório. Entre o
bem e o mal. E uns seres enviados por outros seres superiores que lutavam a
favor da volta da vida daqueles seres que ali estavam a sua mercê.
Quando a depressão nos fazia
companhia, apareciam pessoas, como anjos, que conversavam com a gente dando
força para que a gente se reabilitasse das cinzas como a ave fênix. Eu percebi
tudo isso quando da admiração de um médico com a minha regeneração.
Foi quando eu comecei a entender
realmente tudo que eu havia vivido durante o período em que convivi com Rônam e
sua tripulação. A nossa percepção, acordado, é uma, pobre, sem muitas evidências.
A percepção em transe do sono é outra completamente diferente. Ela é mais
sofisticada e podemos fazer coisas e perceber coisas que nos deixa dúvidas de
tão fantásticas.
Só depois de uma experiência em
um hospital, é que podemos entender o que está se passando com a gente, quando
estamos vivenciando o fantástico. Que no fim das contas é o real.
Seis meses depois, e com muito
sofrimento, eu fui fazer uma cirurgia para a retirada da vesícula biliar para
que pudesse sobreviver a esse tormento de tanto sofrimento, dor e expectativa
de quão pouco eu iria viver aqui na Terra, apático sem poder fazer nada. Nem
escrever, pois era cansativo e dolorido.
Após a anestesia e em casa,
começaram a acontecer coisas que com a ajuda do efeito do anestésico, eu
voltaria a ver coisas e a participar de visões fantásticas que nunca tinha
participado. Eram visões as quais eu fazia parte do contexto.
No primeiro dia, eu sentia muita
dor. Inclusive a viagem de carro do hospital até em casa foi muito sofrida com
os solavancos na estrada. Eu estava recém operado e fraco. Cheguei em casa e
fui direto para a cama. Não podia nem me levantar, coisa que tentei depois e
não consegui. Estava tomando somente um remédio para dor. Mesmo assim eu fiz
questão de tomar muito pouco. Eu não queria mais tomar remédios. Já havia
tomado remédios demais. Finalmente as dores foram diminuindo e eu comecei a
dormir. Foi quando anoiteceu e deu o início ao fantástico.