terça-feira, 25 de agosto de 2015



Jornal da vida

Cada vez eu conto uma história


A HISTÓRIA DE UM HOMEM


Este jovem nasceu em abril de 1908. Descendente de imigrantes de Portugal, veio para o Nordeste do Brasil, mais precisamente no Estado de Alagoas, numa pequena cidade chamada de Porto da Rua. Aos 3 anos de idade seus pais faleceram por motivos estranhos. Não se sabe exatamente como foi, mas foram assassinados.
O rapaz e uma irmã foram criados separados sendo que ele foi para a casa de um tio que o tratou como um escravo segundo as suas próprias declarações.
Ele viveu a sua infância a trabalhar como um adulto a carregar pesos excessivos até o ponto de adoecer de uma hérnia umbilical. Quando não fazia aquilo que o tio exigia, era submetido a surras implacáveis até o ponto de não suportar mais e suas costas dilaceradas era banhada com água e sal para que evitasse inflamações posteriores. Quem lhe tratava das enfermidades era a sua tia que era a tia de verdade. Pois o tio nada mais era do que o marido da sua tia.
O tempo foi passando até que este jovem tornou-se um adolescente e foi crescendo, quando resolveu fugir do engenho em que morava e era submetido a trabalhos forçados e torturas.
Fugiu para Maceió, que devido as grandes dificuldades de locomoção naquele tempo, se tornava uma cidade longe de ser alcançado. A sua família não se importou e deixou que ele fosse embora.
Chegando lá em Maceió, Alagoas, procurou sozinho uma saída para a sua vida. Topou ser ajudante de balcão. Naquela época não havia carteira assinada de trabalho, não havia férias de 30 dias, enfim, não havia direitos dos trabalhadores. O rapaz decidido em procurar uma vida melhor, encarou o desafio.
Muito sofrimento sem onde morar, dormia num quarto alugado entre vários colegas de trabalho. Comia o que aparecesse, tal como sardinha enlatada com pão. Mas foi assim que ele começou a sua vida. Foi desafiando a si próprio e conquistando cada dia da sua vida.

Foi soldado do exército brasileiro, serviu no tempo necessário. Aprendeu a coisa mais importante para um homem. Disciplina, saber a hora de avançar e a hora de para. Saber aonde chegou a hora de mudar de direção.
Com muito sacrifício procurou estudar, pois era analfabeto praticamente. Passou uma grande parte da sua vida de jovem num navio pelo mundo afora, trabalhando e conhecendo o mundo. Conheceu toda a Europa, parte da Ásia e praticamente toda a América. O que lhe mais deu saudade foram as mulheres da Espanha. Guardou muitas lembranças que ficaram somente com ele que nunca quis contar mas o deixava saudoso.
 Foi para a escola e com os conhecimentos adquiridos fez um teste e com a ajuda de um amigo se empregou num banco. Que foi até a aposentadoria.
Homem, adulto, soube economizar dinheiro que lhe deu chance para comprar casas. Pois nunca morou em casa alugada, a não ser num quartinho quando jovem.
Conheceu uma jovem mulher com quem teve uma filha e mais adiante conheceu outra com quem teve quatro filhos, sendo que um morreu de meningite.
Sempre foi uma pessoa extremamente honesta. Sua honestidade era tal que servia de comentários entre os amigos.
Nas suas farras que não foram poucas, depois de casas, chegava em casa meio tocado e ia direto para cama só acordando no dia seguinte. Mesmo assim sempre foi cumpridor dos seus deveres como pai e marido.
Era de certa forma rude na criação dos filhos. Era muito rígido e não admitia nem que a criança gritasse dentro de casa. Quando estava conversando com adultos não admitia a presença de crianças por perto. Enfim, era a educação da época.
Sua vida nunca foi um mar de rosas. Sempre estava lutando contra uma dificuldade financeira ou contra uma doença. Os seus filhos tiveram doenças terríveis como Gripe espanhola, equisostomose e epilepsia. Mas felizmente todos ficaram posteriormente com saúde.
Nunca foi de andar em grupo. Não gostava de muita amizade e sempre dizia que: “Caranguejo por causa de amizade perdeu a cabeça.”
Não entendi a comparação, mas eu entendo que ele queria dizer que certas amizades, é melhor ficar só.
Dizia que o homem não devia andar rindo muito quando estivesse em grupo, com outros. Pois quem muito se abaixa o cu aparece.
Uma vez ou outra chamava uns dois “cabras” pra tomar um conhaque com caju, e aí pronto. Cada uma ia para a sua casa.
Nunca foi visto em bar ou boteco. Mas nuca deixou de tomar umas carraspanas vez ou outra. Só tinha um porém; nunca faltou nada em casa. A cachaça era dominada por ele. Nunca tentou afogar as mágoas na cachaça. Era sempre calado e conciso. Nunca vi chorando. E quando triste, baixava a cabeça apenas. Era um homem de ferro.
Não foi nenhum exemplo pra ninguém, pois tinha os seus defeitos com qualquer pessoa, mas nunca ninguém conseguiu apontá-lo na rua.

Um dia após muitos anos de vida foi embora daqui deixando somente lembranças de que foi um homem honesto e cumpridor dos seus objetivos.

A História de um Português

Nascido em Portugal na cidade do Porto veio ainda criança para o Brasil. Escolheu como cidade para morar o Recife. Talvez se tivesse escolhido mesmo, pois ainda era criança, não fosse o Recife.
Foi criado e educado por parentes portugueses. Deram-lhe a educação e o sotaque português. Foi criança e na sua adolescência estudou e trabalhou. Na verdade trabalhou mais do que estudou, pois não havia tempo nem hora como hoje temos. Não havia CLT, consequentemente, não havia leis trabalhistas. Todos os jovens que se dedicavam ao trabalho eram escorraçados pelos patrões e não podiam fazer nada. Muitos deles ameaçavam com violência. Diante da necessidade de trabalhar para o próprio sustento, estes jovens davam duro, quase escravos do seu patrão.
Feliz daquele que arranjava um emprego em que o patrão investia no empregado. Muitos destes se davam tão bem que as vezes se tornavam ricos tanto quanto o próprio patrão. Mas isso era coisa rara.
Um dia este jovem conseguiu um bom emprego. Trabalhava em uma casa de frios. Nome que se dá a empresas que vendem alimentos em conserva. Era aquele tipo de trabalho que tinha hora para começar mas nunca terminava na hora certa. Quem quisesse estudar que arranjasse alguém que investisse em tal atividade. Estudar era coisa de filhos de papai.
Mas aqueles que queriam se dar bem faziam das tripas coração. Deixavam os domingos de folga para se dedicarem aos estudos. O ensino naquela época exigia muito do aluno com cursos de 18 matérias. O aluno tinha que dar conta de História, Geografia, Física, Matemática, Português, Inglês, Francês, Latim, Grego, trabalhos manuais, Canto Orfeônico (música), religião, Ciências, Biologia, Química, Filosofia, Desenho, Descritiva, sendo que todas estas matérias eram essenciais, com provas orais e escritas e eram obrigados a passar em todas as matérias para passar de ano.
Com tudo isso os alunos conseguiam e passavam. Quem não queria estudar ficava para o serviço pesado. Como carregar açúcar.
Pois bem este jovem se dedicou ao trabalho e um pouco de estudo e quando adulto resolveu casar. Era seu sonho, como o de qualquer um cidadão naquela época; casar e ter muitos filhos. E foi assim que ele fez. Conseguiu uma jovem filha de um ricaço e casou-se.
Homem trabalhador e gostava muito do lar. Homem de certa forma ciumento. Não permitia muitos direitos a sua mulher. Mas a casa era cheia de alegria, havia dinheiro para mantê-la com o seu trabalho. E os filhos vieram como havia pensado. Muitos.
Mas como o destino é um caminho a percorrer sem reclamar. A sua mulher achava que o seu dinheiro era interminável. Usou e abusou tanto que este senhor perdeu o controle e após perder o emprego pela falência da firma, se entregou a bebida. Coisa que não era de seu feitio. Homem educado e cauteloso. Mas o poder do álcool é muito mais do que as suas forças, ele cedeu.
Fui-se degradando e se entregando cada vez mais ao vício. Não procurou um amigo ou alguém que o ajudasse a se levantar. Foi muito orgulhoso e achava que podia sozinho resolver a sua desgraça. Cada vez bebia mais. A família foi-se deteriorando. Ninguém o respeitava mais. Daí quando percebeu a que ponto chegou, já era tarde. Ninguém já não lhe respeitava mais como um chefe de família. E sim no deboche o chamava de “bigodão”.
Anos e anos após ao deslize de se deixar ceder pelos amigos e pelo álcool resolveu parar de beber. Não dava mais tempo. A doença já tinha se instalado e a idade não lhe ajudava mais sucumbiu deixando muitas saudades pela pessoa que era.
No auge do vício, Um certo “amigo” chegou a montar uma mini barraca para vender cachaça bem perto de sua casa para que ele se esbandalhasse todo o dia. Ele chegava tão embriagado em casa que certo dia deu uns tiros nos familiares. Por sorte ninguém saiu ferido.
Estava ali entregue a sorte, um homem que antes era exemplo de honestidade, bondade.
Quando eu o conheci, conversava muito com ele. Era uma pessoa agradável, gostava muito de falar sobre as histórias da Bíblia e de sua terra natal. Certa vez disse que gostava de mim porque eu lhe dava atenção e conversava consigo. Pois na verdade, os outros, pouco lhe dava atenção a não ser uma filha.
Este homem foi um senhor de posses. Quando ia passear com a família, alugava um táxi, coisa que só os endinheirados da época é que podiam fazer. Pois era um tipo de transporte muito caro para uma pessoa comum. Todos viviam bem financeiramente durante o período em que ele trabalhava e mantinha uma vida regrada.
Mas após o abuso do álcool, muita tristeza talvez, viu-se em desgraça desapontando a todos. Não teve coragem de pedir ajuda a quem quer que fosse para sair daquela frustração do desemprego e da falta de esperança.
Jamais um homem é por si só.

Somente Deus consegue isto.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

SEUS PÉS












Você vai caminhando por um lugar escuro onde somente a Lua, entre as nuvens, põe um pouco de luz sobre você.
O tempo está frio e você com os seus pés descalços caminha num chão cheio de pedrinhas que magoa os seus pés. Vai andando e sentindo a frieza na sua pele. Sua roupa parece até que está úmida. Mas a sua alma sente as energias do ambiente. Você caminha nem sabe mesmo, pra aonde vai. Você procura por si e não acha. Sente uma palpitação de tanto esperar que alguma coisa boa aconteça no seu coração. As pessoas não estão lá por onde você anda.
A pouca luz lhe dá a sensação de que ninguém está lhe vendo. Mas você escuta algum sussurro vindo de algum lugar. Quem sabe? Pode ser até a sua respiração. Ninguém se importa com você, pois você não tem nada a oferecer a não ser a sua palavra.
Suas ideias são muito difíceis de serem compreendidas. Você tem medo de se tornar ridículo somente por pensar diferente. Mas todos estão ali, lhe esperando que você saia desse caminho escuro, ou com pouca luz, para ficarem parados some  olhando para a sua alma.
Você não acredita em mais nada do que falam para você. Pois o seu sofrimento o fez tornar-se indiferente para os valores constituídos pela sociedade em que você vive. Mas não tem importância, você caminha e sente as pedrinhas machucarem os seus pés.
Se as pessoas mandarem calçar sandálias, você irá rir da importância que elas dão as sandálias. Você já não as calça mais porque elas não lhe servem para caminhar. Apenas fazem barulho. Outras têm pena de você porque acham que você não conseguiu o que queria da vida. Não sabem que o seu sonho acabou também.
Você acreditou muito que sonhar com uma realidade que estava no futuro poderia ser resgatada para um presente que nunca existiu. Você confiou mais nos outros do que em você. Mas não tem importância. Ainda tem muita estrada para se caminhar. E é bom que seja na penumbra e no silêncio. Pois assim não vão saber aonde você vai chegar. Você pode ter ainda muito tempo. Mas se não tiver, não tem importância. Vá caminhando e seguindo os seus próprios passos. Quem sabe? Podem ter outros passos iguais aos seus. Mas se não tiver continue. Você é único pra você mesmo. Não espere que alguém ande por você.
Assim você não vai poder sentir as pedrinhas doerem nos seus pés. Elas querem dizer alguma coisa. Você precisa, você precisa. Mas não estire a mão. Podem cortá-la por acharem que você está querendo tudo aquilo que elas querem também.

Vá andando, continue, lá fora da escuridão tem uma luz que não tem nome, não tem sentido, não tem dimensão e é muito difícil de ser compreendida porque todos querem dá um nome e criar uma fisionomia para que lhe faça medo ou lhe cause tristeza. Mas essa é a sua luz, é você.

domingo, 9 de março de 2014

Palestra com o Ministro Rubén Del Valle (Cuba)


Estive nesta sexta-feira, a convite da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, para participar de uma palestra com o Exmo. Sr. Ministro da Cultura de Cuba, Rubén Del Valle.  São eventos que raramente são divulgados como se deve. A integração de brasileiros e cubanos em eventos culturais é de uma importância relevante, em virtude de sermos do mesmo continente, embora com idiomas diferentes. No início eu não entendia o que o ministro falava, mas com o tempo comecei a entender com mais facilidade o castelhano com o sotaque cubano.
O que me chamou a atenção, é de que a cultura em Cuba é muito mais levado a sério do que no Brasil. A impressão que eu tinha de Cuba por ser um país pobre e pequeno no sentido territorial, era de que mais parecia com algum lugar do interior do Brasil. Mas para minha surpresa Cuba é um país importante, mesmo sendo tolhido pelas forças políticas dos Estados Unidos.
Não vejo sentido, do povo cubano,  passar pelas privações, pelo fato de não poder se relacionar com os outros países nos sentido comercial, somente porque é uma ditadura. Eu acho isso uma estupidez e uma mesquinharia.
Cuba por ser uma ilha paradisíaca foi durante muito tempo, segundo o ministro, uma ilha de jogatinas e prostituição dos Estados Unidos pelo fato de ser próximo a algumas centenas de milhas do continente americano. Com a revolução comunista, acabaram-se os cassinos e o local de privilégios dos norte-americanos. Com a aproximação de Cuba com a URSS, os Estados Unidos colocaram o dedo no suspiro e até hoje Cuba vive das suas próprias experiências. Fazendo comparações, em Cuba não se faz fila para ir ao médico. Aqui se morre na fila.
O que me chamou a atenção no lodo cultural é a variedade de motivos culturais para todas as idades e gostos. Desde as românticas músicas, passando por eventos de ruas, várias formas de teatro até músicas eruditas com compositores da terra.
O país tem aproximadamente onze milhões de habitantes e são vendidos oito milhões de livros. A cultura é tratada de forma para que os descendentes da região conservem e perpetuem com a ajuda do governo e o incentivo do turismo.  No vídeo que assisti mostram pessoas de vários países que lá visitam a procura de diversões com o contexto cultural.
Esta experiência nos orienta para que devamos incentivar ao povo pernambucano, aqui no caso, para que haja investimento por parte das autoridades envolvidas na cultura desta região, de modo que se crie uma cultura permanente dos nossos costumes. Precisamos convencer aos nossos artistas que invistam mais naquilo que possuímos para que os descendentes se orgulhem do que possui sem que haja necessidade, por exemplo, no carnaval de Olinda, se ouvir sons de músicas de outras regiões do Brasil, quando temos eventos culturais na região de excelente qualidade.

A exemplo disso,quando se toca Vassourinhas no carnaval, o frevo pega fogo.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

FOTO IMPRESSIONANTE

Estava tomando café. Quando terminei dei uma olhada no fundo da xícara. A luz formou uma imagem interessante do rosto de um Extra Terrestre. Apanhei a máquina fotográfica e tirei estas fotos. É impressionante esse tipo de imagem. Nada foi feito com a intenção de tirar este tipo de imagem.











sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

COMO FORAM OS ANISTIADOS, ANOS DE INDECISÃO E FRUSTRAÇÃO.



Daria, se quisesse, fazer qualquer comentário de qualquer tipo que explicaria essa situação. Imagine um furacão, de repente, a destruir todos os seus sonhos e lhe tornar, de uma dia para outro, um indivíduo, visto pela sociedade, como um preguiçoso, que só quer boa vida, sem trabalhar e viver como um parasita as custas das pessoas trabalhadoras que conseguiram o que tem com muito esforço.
É equivalente a um murro de um lutador de boxe, peso-pesado, sem esperar. Pronto. Nocauteou-o. Muitos ficaram saltitantes de alegria. Aqueles que diziam, “tô contigo e não abro”. Os amigos “mosca”.
Qualquer comparação que se fizer com os anistiados se assemelha com a situação em que foi vivida aí em cima. É como uma pessoa no deserto, perdida, apenas com uma garrafa d’água na mão.  Não sabe se bebe ou guarda para depois.
Foi uma bomba que explodiu dentro de casa, daquelas bem potentes, que quebrou, o respeito, o relacionamento, a consideração. E o indivíduo para poder suportar, estou falando dos que sobreviveram, teve que procurar uma muleta. Os botecos onde vendiam fiado, cachaça e cerveja, fora as piadinhas de que não estava trabalhando porque não queria nada com a vida. E um sorriso amarelo servia de disfarce pela vergonha que se estava sentindo.
E os filhos, adolescentes, a vergonha deles em relação aos colegas que tinham pais empregados? Aquela pergunta ferina: “Teu pai trabalha aonde?” E no dia em que os filhos tiveram que sair do colégio porque não tinha dinheiro par pagar as prestações do colégio? E a festa de 15 anos? Terrível, improvisada! E a eterna satisfação que se tem a dar a sociedade? O pai um bebum que não podia ver uma garrafa em pé que queria derrubá-la. E a mãe se fazendo de que não entendia nada par poder conseguir disfarçar.
Com certeza o causador de toda essa miséria, estava sorridente levantando o braço para poder mostrar aos seus discípulos que era potente e correto. Seria mais um pseudo Hitler disfarçado, egocêntrico iludindo aos demais? Não sei. Só sei que foi um fim de mundo! Como um tiro em que só depois é que se sabe que foi atingido devido à rapidez do fato.
Ainda bem que o  ser humano se adapta ao ambiente para poder suportar a dor. Aprender a ser humilhado sem perder as estribeiras. Aprender a ser escanteado por todos sem precisar de chorar, pois sorrindo se vai levando toda a desgraça nas costas. Nestes momentos, o máximo que as pessoas podem ter, é pena. (Mas isso não ajuda, pois o que se precisa é de uma mão de apoio.) Ou então aquela conversa de que tudo passa. Pois assim o aconselhador se exime de ter que ajudar materialmente. Fica só nos conselhos que é de graça e não lhe tira o dinheiro de comprar uma jóia ou um dia num restaurante.
Quando não, se dá uma cestinha de alimentos comprada ali no supermercado juntamente com uns conselhos maravilhosos; “olhe isso aqui é para lhe ajudar enquanto você arruma um emprego. Pode ser um emprego de servente. Pois se começa assim.” O humilhado responde com um sorriso para não ofender. Se não pode perder a possibilidade de ganhar outra cestinha. Pois quem mais humilha é a fome.
Mas a força do anistiado ainda é maior que a do aconselhador. Como um animal abatido e rodeado de hienas sorrindo e salivando a sua desgraça, lhe oferecem soluções mirabolantes. Advogados que resolvem o problema rapidamente em alguns dias ou meses. Basta pagar 500 reais. Ora o desgraçado já está no fim da linha, onde diabo vai arrumar essa fortuna toda, se um real já resolve muita coisa na sua vida? Dá pra comprar o pão. Pois ontem comeu farinha com colorau e sal.
Vive rodeando um sindicato na esperança de que algum dos diretores descubra a verdadeira fórmula da salvação. Reuniões com um grupo de pessoas com uma idade não aceitável para se empregar em qualquer lugar deste país, onde cada um conta a sua história, mas não se lembra de que a união faz a força. Aparecem até histórias semelhantes ao “Guiso no pescoço do gato”. Todos tem uma idéia infalível, mas não sabe como executá-la.
“Manda dez pessoas para o distrito federal para gritar e chamar a atenção.” Aí no outro dia está tudo resolvido. O presidente assina um decreto e todos voltam para o trabalho. Muito bem, quem financia as passagens de avião para ir ao distrito federal? “Não sei! O sindicato! Uma cotinha!” E por aí vai.
Mas a insistência de alguns heróis que acreditam que Deus não é seu empregado e sim seu instrutor, toca pra frente a sua luta que é de todos nós. Briga, reclama, se passa por chato, inconveniente, mas vai seguindo o seu paradigma de ajudar a si e aos outros que não tem mais força nem coragem. Vai com as esmolas para uma terra pouco conhecida, repleta de  hienas a espreita da sua desgraça. Com pouco ou nenhuma grana, disputa uma dormida em um banco da rodoviária para salvar os colegas que estão nas suas outras atividades, ou nos botecos, ou vagando em algum lugar esperando o milagre. O choro da traição lhe comove ao saber que foi mais uma vez expulso do convívio por não ter dinheiro par pagar uma pensão.
Deus olha lá de cima e espera para ver o desfecho de toda essa caminhada de um herói que só queira o seu emprego, a sua casa, o seu lar, os seus filhos dizendo papai, enfim o que todos têm direito.
Hoje os que tiveram sorte, deixaram o álcool como muleta para continuar esperançosos que o dia está chegando. Deixaram de se lamentar por achar que aqueles que não estão interessados no seu sucesso lhe façam alguma coisa de bom. Pois a luta é de cada um que somando as forças se luta para que toda essa agonia chegue ao fim.

Mas como uma guerra, muitos ficaram para traz. Morreram, porque chegou a sua hora, foram presos porque acreditaram que o caminho mais largo era o correto. Adoeceram porque não tiveram fé. Enfim Deus deu a cada um uma cruz com valores e medidas diferente para a sua capacidade. E os que sobraram foram os heróis dessa peleja. Mas sempre tem um maior na peleja; aquele que foi na frente e levantou a bandeira da liberdade e do perdão. Deus salve os anistiados deste país que foram condenados sem pecado!
VIDA, MOMENTOS DE CONSCIÊNCIA.


A vida é uma incógnita.
São momentos de consciência em que se percebe que algo ocorre em volta de nós. Jamais saberemos o que possa ocorrer além da nossa capacidade de perceber e da nossa pobre inteligência que não passa de uma evolução dos instintos.
Muitos indivíduos humanos se dizem privilegiados de que possuem uma capacidade de perceber coisas, que os outros não têm. Isso não passa de histerismo. O que existe na verdade são pessoas com uma capacidade de criação e imaginação mais desenvolvidas que os outros do seu universo.
Uma das coisas mais intrigantes são pessoas que se dizem divinas. Isto existe desde o começo do homem “inteligente”. Eles se acham poderosos e capazes. Conseguem convencer um grupo de pessoas, mas com capacidade de ação física ou intelectual mesmo dentro das suas limitações terrenas. São os formadores de cultura, que quando não conseguem convencer, aplicam a violência e o medo. São os governos ditadores, os grupos religiosos fanáticos ou coisas parecidas.
Quando você se deita numa relva ou mesmo na areia da praia e olha para o céu à noite, o que você vê não passa da sua estupidez de não entender nada do que está vendo. Uns diziam que eram furos no firmamento em que a luz transpassava. Hoje se diz que são estrelas. Mas os mais estudiosos afirmam que tudo aquilo que você vê não passa de luz. Somente luz. Pois muitas daquelas luzes já não representam mais nenhum objeto ou estrela como se queira dizer. Elas já se foram a milhares de anos luz.
As pessoas costumam tapar o buraco de sua ignorância com uma religião para justificar um Deus que na verdade não conhecemos e nem há possibilidade de conhecer. Pois não somos capazes de nos conhecermos, de sabermos como somos intimamente, quanto mais conhecer algo que nem sequer temos idéia de como pode, poderia ou mesmo poderá ser.
Não sei nem como explicar a ignorância da não percepção da existência de Deus. Tudo que vemos e percebemos alegamos que é feito por Deus, é infinitamente insignificante para o poder que a gente delega a si próprio, se é que podemos usar esta palavra, foi ou é Deus.
Há uma necessidade imperiosa de se provar que existe Deus, para muitos, para que haja uma dominação das consciências das outras pessoas. Assim fica mais fácil de convencê-los de que devemos fazer isso ou aquilo, sob a ameaça de num infinito pré-estabelecido, encontrarmos a felicidade.
Como as pessoas têm um medo infinito da não felicidade, ficam heroicamente lutando contra a si mesmo e contra as suas vontades natas, para garantir uma felicidade que ele na verdade nem sabe se existe.
Pois não acredito que alguém tem cem por cento de certeza de que há vida após a morte. Todos falam e garantem, mas lá no fundo da sua pobre consciência, existe uma dúvida terrível, que para amenizá-la recorre a alguma religião, seita ou ritos para aliviar a sua incerteza.
Os mais sabidos se tornam enviados do divino, são os monges, os padres e principalmente os pastores que se consideram os mais privilegiados. Chegam até a ironizar as crenças dos outros como se fossem os únicos que vão a um reino que ainda não virou república, mas são socialistas; todos têm direitos iguais depois que chegam lá. Pois, antes, têm que se privar de muitas coisas que é difícil de julgar pelos outros que não tem nenhuma tendência ao medo religioso de ir para o inferno de cabeça pra baixo e o c... pra cima.
O grande problema é da nossa dificuldade de perceber e sentir as coisas como elas são. Se alguém tem alguma alucinação, tem certeza de que a sua percepção é verdadeira e a outra pessoa que está percebendo o alucinado, como não consegue vivenciar a mesma coisa, simplesmente não acredita no que o outro está sentindo e simplesmente diz que é algo, baseado em tudo aquilo que aprendeu na sua experiência de vida. Se sua experiência for ligada diretamente à religião, pode dizer que é um milagre ou apenas coisas do demônio. Se for um cientista, passa a desconfiar de tudo aquilo que não é palpável. E no fim das contas ninguém sabe onde está a VERDADE, se é que ela existe mesmo ou é até alucinação.
Cada cultura fala da vida como uma coisa em que a gente está aqui para uma provação. Provação de que? Antes existíamos? Como é que um Deus que tem poderes infinitos, inteligência infinita poderia agir dessa forma, humana?
Há até quem diga que somos a sua imagem e semelhança! Quem tem a nossa imagem e semelhança é o macaco! Outros, para confundir, dizem que essa imagem e semelhança e no caráter. Quer dizer, continua-se a não se saber nada, mas continuam a confundir os pobres de espírito para que eles sejam manipulados e se necessário, amarra-se umas bananas de dinamite em seu corpo e em nome de Deus se pratica um ato heróico! Salve Alá!
Pra mim o mais impressionante sou eu dentro de mim mesmo, falando comigo mesmo e ainda chamo isso de consciência.
A final o que é a vida?

Meu Deus, como há tanta divergência! Quando eu morrer vou pro céu. E depois?