Você vai caminhando por um lugar escuro onde somente a Lua, entre as nuvens, põe um pouco de luz sobre você.
O tempo está frio e você com os seus pés descalços caminha
num chão cheio de pedrinhas que magoa os seus pés. Vai andando e sentindo a
frieza na sua pele. Sua roupa parece até que está úmida. Mas a sua alma sente
as energias do ambiente. Você caminha nem sabe mesmo, pra aonde vai. Você
procura por si e não acha. Sente uma palpitação de tanto esperar que alguma
coisa boa aconteça no seu coração. As pessoas não estão lá por onde você anda.
A pouca luz lhe dá a sensação de que ninguém está lhe vendo.
Mas você escuta algum sussurro vindo de algum lugar. Quem sabe? Pode ser até a
sua respiração. Ninguém se importa com você, pois você não tem nada a oferecer
a não ser a sua palavra.
Suas ideias são muito difíceis de serem compreendidas. Você
tem medo de se tornar ridículo somente por pensar diferente. Mas todos estão
ali, lhe esperando que você saia desse caminho escuro, ou com pouca luz, para
ficarem parados some olhando para a sua
alma.
Você não acredita em mais nada do que falam para você. Pois
o seu sofrimento o fez tornar-se indiferente para os valores constituídos pela
sociedade em que você vive. Mas não tem importância, você caminha e sente as
pedrinhas machucarem os seus pés.
Se as pessoas mandarem calçar sandálias, você irá rir da
importância que elas dão as sandálias. Você já não as calça mais porque elas
não lhe servem para caminhar. Apenas fazem barulho. Outras têm pena de você
porque acham que você não conseguiu o que queria da vida. Não sabem que o seu
sonho acabou também.
Você acreditou muito que sonhar com uma realidade que estava
no futuro poderia ser resgatada para um presente que nunca existiu. Você
confiou mais nos outros do que em você. Mas não tem importância. Ainda tem
muita estrada para se caminhar. E é bom que seja na penumbra e no silêncio.
Pois assim não vão saber aonde você vai chegar. Você pode ter ainda muito
tempo. Mas se não tiver, não tem importância. Vá caminhando e seguindo os seus
próprios passos. Quem sabe? Podem ter outros passos iguais aos seus. Mas se não
tiver continue. Você é único pra você mesmo. Não espere que alguém ande por
você.
Assim você não vai poder sentir as pedrinhas doerem nos seus
pés. Elas querem dizer alguma coisa. Você precisa, você precisa. Mas não estire
a mão. Podem cortá-la por acharem que você está querendo tudo aquilo que elas
querem também.
Vá andando, continue, lá fora da escuridão tem uma luz que
não tem nome, não tem sentido, não tem dimensão e é muito difícil de ser
compreendida porque todos querem dá um nome e criar uma fisionomia para que lhe
faça medo ou lhe cause tristeza. Mas essa é a sua luz, é você.
